A reunião entre o Sindicato dos Rodoviários e o Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa) terminou com o comunicado oficial de que os empresários não irão cumprir o que foi acordado em relação ao dissídio da categoria por conta da suspensão do reajuste na tarifa de ônibus. A greve, no entanto, depende do valor depositado nos contracheques dos trabalhadores, que recebem em 15 de março. A paralisação pode ser deflagrada no dia seguinte.
O presidente do sindicato dos rodoviários, Adair da Silva, informou que não há cláusula no dissídio que atrele o salário à tarifa dos ônibus. "Não tem nada escrito no nosso dissídio que diga que, se a tarifa for reduzida, nosso salário será também", declarou. Ele criticou a prefeitura, que deixou para depois do reajuste na roleta a consulta ao Comtu. "Quem tem que desembaraçar o que está feito é a prefeitura, que deveria ter convocado o Comtu antes. Não existe reduzir salário", alegou.
Silva disse ainda que a prefeitura deixou uma "brecha" ao ignorar o trâmite do aumento da passagem. "Todo reajuste de tarifa tem que passar pelo Comtu", avaliou. Ele descartou ainda a possibilidade de greve no momento, apontando que a categoria esperará para ver se o valor do dissídio aparecerá no contracheque deste mês. "A Carris é a primeira a pagar o salário, no dia 15. Primeiro vamos ver se vão pagar para então definir que rumo tomar."
Sem condições para cumprir dissídio
Nessa terça-feira, o Seopa protocolou uma petição junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) informando que não pretende cumprir o dissídio. O parecer sairá em até 48 horas e, mesmo com a obrigação de pagar, os empresários não devem levar adiante o acordo porque não há condições financeiras. O Seopa, via advogados, afirmou que os investimentos em novos ônibus também podem ser cortados se a tarifa não for de R$ 3,75.
Nos bastidores, ventila-se a possibilidade de uma paralisação combinada para pressionar a opinião pública e forçar o reajuste da tarifa, o que ocorreu em 2013. Na semana passada, a Justiça manteve o preço das passagens em R$ 3,25 - o pedido era que subisse para R$ 3,75, o que chegou a vingar de 22 a 24 de fevereiro, mas caiu após liminar.
Empresas descartam pagar dissídio e greve de rodoviários depende de contracheque
Sindicato da categoria alegou que salário não está atrelado ao reajuste na tarifa