Para suportarem o custo do dissídio salarial dos rodoviários assinado nesta quarta-feira com índice de 5,5% de reajuste, as empresas de ônibus de Porto Alegre protocolaram também hoje na EPTC pedido de revisão do cálculo da tarifa dos coletivos: o novo valor da passagem proposto é de R$ 4,2658. O índice é de 13.75% sobre os R$ 3,75 atuais.
O acordo foi assinado na ATP entre o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte de Porto Alegre (StetPoa) e o Sindicato das Empresas de Ônibus da Capital (Seopa), após aprovação das propostas pelos rodoviários em plebiscito. A negociação foi a mais longa da história – a data-base do dissídio dos rodoviários é 1º de fevereiro.
O piso do motorista vai de R$ 2.424,52 para R$ 2.557,87 e do cobrador de R$ 1.456,60 para R$ 1.536,71. O vice-presidente do StetPoa, Sandro Abbade, definiu o acordo como “mau negócio, mas foi o possível diante da crise”. O vale alimentação passou de R$ 23,48 para R$ 25,00 e o desconto ao plano de saúde de R$ 30,00 para R$ 45,00 por mês.
Tarifa deverá subir pelo menos 25 centavos
As empresas de ônibus estão preocupadas com o futuro valor da passagem, comentado pelo presidente da EPTC, Marcelo Solleti, entre R$ 4,00 e R$ 4,05. “As empresas não terão como pagar salários, combustível e outras despesas”, projetou o diretor Executivo da Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), Gustavo Simionovschi.
De acordo com o executivo, o cálculo protocolado pela ATP inclui prejuízo de R$ 17 milhões às empresas devido 94 dias de tarifa rebaixada em 2016 – 30 dias por liminar judicial e 60 dias por créditos dados pela prefeitura depois da alta a quem comprou passagem antecipada. Leva em conta ainda a frota de 1.712 ônibus aptos ao trabalho, embora o município tenha retirado 47 veículos no seu cálculo.
EPTC analisará proposta da ATP
Por outro lado, a prefeitura teve que aportar R$ 14,9 milhões em socorro à Carris no primeiro bimestre do ano, disse Simionovschi. Isso mostra, conforme ele, que a crise atinge também a estatal da prefeitura. A ATP espera a nova tarifa para a primeira quinzena de março.
O trâmite agora é a EPTC examinar a proposta da ATP e encaminhar para o Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu), que define o valor final da tarifa dentro de sete dias. A decisão é encaminhada para a sanção, ou veto, do prefeito.
Empresas querem passagem de ônibus em Porto Alegre a R$ 4,26
Rodoviários e empresas assinaram dissídio nesta quarta-feira e nova tarifa deve ser definida nesta quinzena