"A enfermeira não será recolhida ao cárcere, não terá restrição de liberdade, mas deixará de ser ré primária", avaliou o policial. "Isso significa que ela ficará limitada ao pagamento de cestas básicas ou prestação de serviços à comunidade", disse o delegado Carlos Firmino Dantas.
A previsão de pena branda, explicou ele, deve-se a três razões básicas. A enfermeira colaborou com as investigações, todos os seus vizinhos a apontaram como uma pessoa "boa" e "tranquila". E, após entrevista dada por ela na porta da delegacia, ocorreram manifestações públicas favoráveis a ela. "Nem a vizinha (Vera Lúcia Maria da Silva) que a denunciou disse o contrário em depoimento na delegacia", frisou o delegado.
Pressão
A questão central após o caso, acredita Carlos Firmino, será uma mudança na lei. Assim, maus tratos a animais deixaria de ser "contravenção penal", punível por meio de prisão simples ou multa, e passaria a ser crime em que o infrator está sujeito à reclusão ou detenção.
O espancamento do yorkshire atraiu atenção mundial. Somente no 1o. DP de Formosa foram recebidas cerca de 1.000 mensagens de países como Canadá, Itália, Alemanha e Estados Unidos. As imagens do espancamento já tiveram mais de um milhão de acessos.
Gilson Afonso Saad, advogado da enfermeira, acredita em reversão no caso enquanto delimita a responsabilidades. "Ela vai responder na Justiça pela violência", diz. "Mas, vai responder na medida de sua culpabilidade; não fugirá às responsabilidades", afirmou.
A Policia Civil garantiu, hoje, que não pedirá autópsia do cão, mas ouvirá, nesta quinta-feira, o médico e marido da enfermeira. Também decidiu juntar ao processo um segundo vídeo, entregue à Policia. Gravado por Vera Lúcia Silva mostra a agonia e morte da cadelinha.
Nas imagens, a cadelinha desacordada foi deixada na área comum do prédio. Mais tarde, foi recolhida pelo marido de enfermeira. Três policiais militares e um bombeiro, presentes no local, relataram em depoimento hoje ser impossível salvar a yorkshire.