A paralisação é motivada pela resistência dos estados em cumprir a Lei do Piso, que implantou um valor mínimo nacional para remunerar os professores da rede pública, e que foi aprovado em abril/2011 pelo STF. Dezessete dos 27 estados brasileiros não implantaram a legislação.
"A luta pelo cumprimento do Piso e a destinação de 10% do PIB são bandeiras que não podemos abrir mão", afirma Marta. Sem esses recursos, ela acredita que o governo não conseguirá cumprir as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), que tramita no Congresso Nacional. Entre elas, valorização da carreira docente, com melhor salário; e acesso universal à Educação.
A dirigente alerta que, hoje, temos quase 20% de jovens fora do Ensino Médio na região Sul. E entende que não adianta construir e equipar escolas; e ampliar o número de alunos, sem uma carreira atraente. No RS, outro impasse é a necessidade de governo estadual e Cpers debaterem a carreira docente. "O plano de carreira está defasado. Foi feito quando 5% dos docentes tinha curso Superior e os demais vinham do Magistério. A realidade atual é inversa e não existe uma carreira para quem tem pós, mestrado ou doutorado." Marta aponta que a diferença salarial entre docente com Magistério e com nível Superior é de 85% no RS. "A CNTE defende um percentual próximo a 50%. O PR pagou o Piso sem mexer na carreira e atingiu 40% de diferença; e em SC, também houve ganhos salariais", revela.