Entidades comerciais apoiam medidas restritivas no RS, mas gastronomia se vê ameaçada

Entidades comerciais apoiam medidas restritivas no RS, mas gastronomia se vê ameaçada

Decreto cria restrição noturna aos municípios gaúchos para atividades consideradas não-essenciais

Gabriel Guedes

Decreto cria restrição noturna aos municípios gaúchos para atividades consideradas não-essenciais

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A com a nova determinação do governo do Estado do Rio Grande do Sul de suspender as atividades gerais das 20 horas até às 5 horas, independente da classificação de bandeira do município, setores da economia apresentaram posições divididas sobre o tema. O anúncio foi feito na tarde da última segunda-feira pelo governador Eduardo Leite, começou nesta terça-feira e seguirá em vigor até o dia 1º de março.

Enquanto representantes do comércio e shoppings centers expressam satisfação pelo teor moderado da restrição, o setor de alimentação fora de casa diz que o fechamento depois das 20 horas prejudica os empresários gaúchos que lutam para manterem seus restaurantes e bares abertos diante da crise. “Quem trabalha só à noite, vai ter que fechar as portas”, alerta Maria Fernanda Tartoni, presidente da seccional RS da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

A Abrasel projeta um prejuízo de mais da metade do faturamento de quem opera em dois turnos por conta de as vendas de jantares serem melhores do que as de almoços. Cerca de 19% de bares e restaurantes que funcionam apenas à noite não poderão abrir. O cenário, de acordo com Maria Fernanda, é grave para a maioria dos empresários do ramo de gastronomia que, após muitas tentativas de retomada, ainda não conseguiram superar metade do faturamento que tinham no período anterior à pandemia. “Há o risco de, quando houver a possibilidade de abrirmos novamente, muitos não conseguirem”, explica a presidente da Abrasel, que completa, “Sem poder trabalhar, muitas pessoas vão perder seus empregos e seus negócios. Não podemos ficar um dia sem faturar, infelizmente”, defende.

Para o presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de POA e Região (Sindha), Henry Chmelnitsky, a decisão tomada pelo estado e município é ponderada e leva em conta as demandas dos setores, mantendo o sistema da cogestão. "Não será fácil reduzir horários, ainda pagaremos um preço muito alto por isso, mas olhando toda a situação, a decisão foi ponderada e leva em conta as demandas dos setores. Fechar as portas não poderia ser uma opção e estamos aliviados que isso foi levado em consideração", declarou o presidente.

Os centros de compras, que possuem operações de varejo e alimentação, também avaliam as restrições como uma solução inteligente, racional e equilibrada. "Os shoppings entendem que esta foi a melhor articulação. O governador optou por restrição às 20 horas. O prefeito entende e acata. E isso equilibra a relação entre proteção e economia. Permitindo e possibilitando que a iniciativa privada equilibre suas relações", afirma o coordenador regional RS da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), Eduardo Oltramari.

O comércio varejista, por meio da Câmara de Dirigentes Lojistas da Capital (CDL Porto Alegre), também se manifestou de forma otimista. "O governo tomou a melhor decisão que poderia tomar. Porque dentro de uma situação totalmente crítica, tivemos muitas reuniões e estávamos reivindicando a cogestão, para que pudéssemos adotar critérios de uma bandeira anterior. E depois de um ano de pandemia, de uma situação delicada, se tivéssemos que fechar, seria terrível. Tivemos uma sensatez em encontrar uma alternativa para o horário da noite, mais sensível a aglomerações", avalia o presidente, Írio Piva. O Sindilojas Porto Alegre, outra entidade que representa o setor, não emitiu uma opinião sobre as medidas, mas publicaram em suas redes sociais, todas as orientações necessárias aos lojistas para cumprir o que determina os decretos.

O presidente da Associação Comercial de Porto Alegre, Fernando Villarinho, refuta qualquer possibilidade de lockdown, que seria a paralisação quase que total das atividades sociais e comerciais, mas diz que ainda assim, as medidas chegam em um momento em que a economia ainda se encontra bastante fragilizada. "A nossa posição é muito clara: a gente parte de uma premissa maior, da preservação da vida e da economia. Elas não são dissociáveis. E pela primeira vez tivemos uma bandeira preta, mas que com a cogestão, deixa a gente em bandeira vermelha. Mas claro que estas restrições pegam as atividades econômicas ainda muito fragilizadas. Vamos ver se essa curva busca a estabilidade e comece a cair nos próximos dias. Não acreditamos em um lockdown puro e simples que vá resolver. Não são nos serviços, nem em bares e restaurantes, os culpados pela situação atual", conclui Villarinho.


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