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Entidades denunciam descaso com portadores do HIV no Estado

Grupo pretende procurar o Ministério Público para cobrar providências

Entidades que organizam campanhas de combate à aids no Rio Grande do Sul cobraram, nesta segunda-feira, medidas urgentes para controlar o avanço da doença no Estado e para garantir o suprimento de medicamentos para os pacientes. Os Ministérios Públicos Federal e Estadual devem ser acionados para que a Prefeitura de Porto Alegre e o Governo do Estado façam esclarecimentos sobre o uso da verba destinada aos programas de prevenção de aids.

Segundo o coordenador da ONG Somos, Gustavo Bernardes, não há campanhas de prevenção para grupos vulneráveis e a verba recebida do governo federal não é repassada às entidades que fazem esse trabalho. 

Outro problema apontado é a falta do medicamento Abacavir nas farmácias públicas. O remédio é utilizado no tratamento de soropositivos. A previsão do Ministério da Saúde é de que só em março o estoque seja reposto. Os exames de carga viral, para monitoramento da saúde dos pacientes estão sendo agendados para julho - quando o indicado é que o procedimento seja feito de três em três meses.

Segundo o presidente do Conselho Estadual de Saúde, Carlos Eberling Duarte, além da aids, existem pessoas no Rio Grande do Sul morrendo de tuberculose devido à falta de políticas públicas de saúde. Porto Alegre é a capital com maior número de casos notificados de ids no país, e por isso foi classificada de "África brasileira" na reunião dessa tarde.

A Secretaria Estadual da Saúde esclareceu, em nota oficial, que apesar da falta do Abacavir, outros medicamentos estão com abastecimento normalizado. O orgão ressaltou, ainda, que o Estado recebe cerca de R$ 8 milhões por ano do governo federal para combate à aids, e que as ONGs ficam com 10% deste valor.

As entidades contestam. Afirmam que cerca de R$ 6 milhões estão parados em contas do governo do Estado desde 2007 e não foram repassados aos grupos que trabalham com o controle do HIV.

O último relatório oficial, de 2007, indicou que eram 111,5 casos por 100 mil habitantes, quase o dobro da segunda colocada, Florianópolis. O Estado também é líder no País, com 43,8 casos a cada 100 mil habitantes.