Entidades manifestam preocupação com novo fechamento de atividades em Porto Alegre

Entidades manifestam preocupação com novo fechamento de atividades em Porto Alegre

Federasul, CDL POA, Sindilojas, Fecomércio/RS e Abrasel temem agravamento da crise econômica

Por
Cláudio Isaías

Novo decreto deve acarretar em mais restrições


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As entidades ligadas ao comércio de Porto Alegre estão preocupadas com o decreto que prevê o novo fechamento de atividades comerciais na cidade. A presidente da Federasul, Simone Leite, disse que está sendo desprezado novamente que a crise econômica também mata. "É preciso equilibro e bom senso da sociedade e dos gestores públicos. Não é fechando o comércio e reduzindo a quantidade de ônibus que vamos resolver o problema", ressaltou.

Segundo Simone Leite, as empresas já estão sangrando e é preciso estancar e hemorragia. "A atividade produtiva não pode parar, ela é que move a sociedade", acrescentou. Em nota, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA) manifestou contrariedade às medidas adotadas pela prefeitura de Porto Alegre que preveem o novo fechamento de atividades comerciais. A entidade salienta a importância fundamental do zelo pela segurança sanitária da sociedade e o cumprimento das regras de controle e cuidado com a saúde, mas também lamenta profundamente os impactos econômicos e sociais que a pandemia tem trazido nos últimos meses. 

A CDL POA diz que após tantos dias de recessão, as empresas buscaram os escassos recursos financeiros que ainda lhes restavam para a reabertura, no dia 20 de maio, retomando os vínculos com funcionários que tiveram a suspensão dos contratos de trabalho e repondo estoques para atender clientes. Agora, a CDL POA teme pelo fechamento definitivo desses negócios, por seus funcionários e por todos os elos dessa cadeia produtiva que representa emprego e renda para mais de 20% da população do Estado. O documento afirma que fechar empresas sem propor alternativas não é saudável para a manutenção da sociedade.

O presidente do Sindilojas e vice-presidente da Fecomércio/RS, Paulo Kruse, afirmou que os lojistas estão muito prejudicados e que a restrição não seria a melhor alternativa neste momento. O dirigente disse que os lojistas estão tentando buscar junto à prefeitura uma outra alternativa e que a entidade não está satisfeita com a situação proposta. Kruse destacou que o Sindilojas representa o pequeno, o médio e o grande lojista. "Não podemos afirmar que estamos satisfeitos. No nosso entendimento, o comércio deveria permanecer aberto e que outras medidas fossem tomadas, como utilização de ônibus, maior divulgação e tomada de cuidados", acrescentou. Segundo Kruse, os estabelecimentos comerciais estão seguindo os protocolos, mas não se pode negar que houve o aumento de casos e por este motivo é importante tomar os cuidados para evitar o caos.

Abrasel quer assegurar o funcionamento do setor a longo prazo no Estado

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Sul (Abrasel/RS) quer assegurar o funcionamento do setor a longo prazo. Esse desejo foi manifestado pela presidente da Abrasel/RS, Maria Fernanda Tartoni, após uma reunião com o governo municipal. “Conseguimos manter a operação dos restaurantes dentro dos shopping centers com as mesmas regras definidas para os estabelecimentos de rua. Para este primeiro momento, é uma boa alternativa, é mais justa e igualitária", explicou. No entanto, ela afirmou que é preciso pensar em questões a longo prazo e com cautela, pois é vital para o setor manter as operações funcionando. Maria Fernanda demonstrou receio com as restrições municipais. “Nossa maior preocupação é que com mais uma ordem restritiva de operações, muitos restaurantes e bares não suportem e fechem as portas em definitivo. Não queremos que isso aconteça”, acrescentou.

A presidente da Abrasel/RS explicou que a entidade tem o dever de buscar junto aos órgãos responsáveis as melhores alternativas para garantir que todos consigam manter os seus negócios, assegurar o trabalho de milhares de pessoas e auxiliar no desenvolvimento da economia. Conforme Maria Fernanda, o setor está seguindo todas as recomendações estipuladas pelos órgãos estaduais e municipais na garantia de evitar aglomerações, proteger e dar segurança aos funcionários e clientes. “Se for necessário iremos adaptar novamente as operações e estruturar novas alternativas para manter o setor ativo”, ressaltou.