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Entidades religiosas de Porto Alegre se reúnem com Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus

Nelson Marcheza prometeu novas flexibilizações para o segmento religioso na próxima semana

O Comitê Temporário de Enfrentamento ao Coronavírus reuniu-se por videoconferência, na manhã desta sexta-feira, com representantes de entidades religiosas de Porto Alegre. Na oportunidade, foi apresentada aos participantes a situação epidemiológica da Covid-19 na Capital. Os representantes das entidades mostraram os protocolos e medidas que estão sendo adotados em templos e igrejas, que neste momento têm permissão para receber até 30 pessoas, sem exceder 50% da capacidade dos locais e com distanciamento de dois metros entre as pessoas.

Algumas igrejas evangélicas solicitaram a ampliação da capacidade de ocupação dos templos - 30% (limite máximo de 450 pessoas), 25% (limite máximo de 350 pessoas) ou 20% (limite máximo de 300 pessoas) - ao menos nos finais de semana, caso não seja possível ocorrer a flexibilização entre segundas e sextas-feiras.

O prefeito Nelson Marchezan Júnior disse que vai levar as sugestões para análise do Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus na próxima segunda-feira. Segundo ele, a prefeitura deve anunciar durante a semana novas medidas de flexibilização, com base nos números de internações nas UTIs. “Vamos priorizar algumas atividades que têm gargalos maiores do que outras. Vamos tentar priorizar algumas atividades que não puderam funcionar até agora”, sustentou. “Durante a próxima semana teremos um volume de liberações para alguns setores, setores que têm mais gargalos, como o setor religioso”, assinalou Marchezan.

Os representantes das igrejas cristãs não católicas reforçaram o cumprimento das medidas de higiene e distanciamento a fim de evitar a disseminação do vírus. O secretário-geral da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Marcos Bechert, lamentou que, apesar das restrições, a prefeitura ainda não tenha conseguido acabar com as aglomerações nas ruas nos finais de semana. "É preciso trabalhar a consciência das pessoas sobre a importância de ficarem em casa", frisou.

O presidente da Igreja Evangélica Encontros de Fé, Isaias Figueiró, disse ter encaminhado ao Comitê Temporário de Enfrentamento ao Coronavírus, na quarta-feira, um levantamento completo contendo o total de igrejas e  congregações e a capacidade de todos os templos existentes na Capital. "Pedimos ampliação de um número maior de pessoas nos templos já a partir da próxima semana. Queremos fazer o que é cabível e possível. Mas reitero que cultos com 30 pessoas são inviáveis", atestou.

Na avaliação de Figueiró, os percentuais de público apresentados à prefeitura como sugestão contemplariam a todos. "Nossas convenções maiores - Assembleia de Deus e Universal - teriam uma ocupação reduzida dos salões, mesmo com a liberação dos 30%", assinalou. Segundo ele, os pastores estão promovendo saídas organizadas ao término dos cultos, liberando por setores, além de orientar que pessoas de grupo de risco e crianças evitem de participar dos cultos. "Nossa posição é ficar no aguardo, pedimos uma compreensão e uma análise. Não estamos pressionando. Nós, das  igrejas, queremos que Porto Alegre volte a ser como ela era. Estamos abertos ao diálogos e prontos par auxiliar a prefeitura no que for preciso".

O bispo Luiz dos Anjos, do Ministério Sara Nossa Terra, ressaltou que os líderes religiosos não desejam "dar um tiro no pé". "Nos cultos temos sido muito sistemáticos e até chatos quanto à necessidade de cumprimento das medidas, mas também temos consciência de que há necessidade de flexibilização", afirmou. O pastor Paulo Cabral, da Igreja Batista Passo D'Areia, revelou estar realizando atividades semanais online com as comunidades. "Mas há uma pressão das pessoas por quererem estar nas igrejas. Quando abrimos inscrições para 30 pessoas irem a um culto é um problema. Nossa proposta é lotação de 30% aos finais de semana, já que comércio e restaurantes estão fechados nos sábados e domingos", pontuou. "Entendo que haja grupos que não desejam atividades presenciais e os respeitamos, mas queremos nos reunir. Na periferia temos dificuldade de fazer atividades online pois muitas pessoas não têm internet que possibilitem essa modalidade. Não somos contra os protocolos, estamos bem atentos a eles", acrescentou.

O presidente da Federação Israelita do RS, Sebastian Watenberg Ruanoba, informou que as sinagogas permanecerão fechadas, com encontros virtuais. "Realizaremos o primeiro drive thru religioso no Dia do Perdão", revelou. O Yom Kippur acontecerá entre os dias 27 e 28 de setembro.

O bispo-auxiliar de Porto Alegre, Dom Darley José Kummer, por sua vez, pediu cautela e tranquilidade antes de flexibilizar as medidas. "Estamos acatando as medidas e usando da criatividade, sempre preservando idosos e crianças. Seguimos acompanhando as necessidades dos mais frágeis e as orientações do poder público até que as coisas possam melhorar. Precisamos ter cuidado, pois quem está mandando é esse vírus. Corremos risco grande com as flexibilizações que, se forem feitas, devem ocorrer com muito cuidado", salientou.

O presidente da Associação Sul Riograndense da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Marcos Oliveira Júnior, revelou que seguirá mantendo os cultos online, até que haja mudança das regras de flexibilização. Já o pastor João Antonio de Souza Filho, do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos de Porto Alegre, disse que entende a posição da CEUCAB RS, justamente porque "há diferença entre as religiões e seus cultos".

O pastor Alexandre Sales, da Igreja Bola de Neve Porto Alegre, encerrou a reunião virtual fazendo um apelo ao prefeito: "Pedimos a flexibilização entre 20 e 30%, principalmente aos domingos". Marchezan enfatizou que é importante olhar o todo. "Podemos manter reuniões semanais ou a cada 15 dias", sugeriu.