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Entidades se mobilizam para garantir atendimentos do SUS no GHC

Grupos criticaram posições defendidas pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros<br />

Grupos criticaram posições defendidas pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros
Grupos criticaram posições defendidas pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros Foto : Fabiano do Amaral
Acreditando que serviços do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) estão ameaçados depois dos pronunciamentos do ministro da Saúde, Ricardo Barros, na semana passada, sindicatos, conselhos, entidades e comunidade se reuniram na noite desta quinta-feira para articular um movimento em defesa do GHC, que mantém 100% dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mais de 20 pessoas se manifestaram no encontro, realizado na Associação dos Servidores do GHC, na Zona Norte de Porto Alegre.

Uma das queixas expostas na reunião foram os nomes indicados pelo ministro para formar a nova gestão do grupo hospitalar. “Combatemos há muito tempo o método de escolha da diretoria porque ele se baseia numa questão político-partidária. Os trabalhadores nunca são ouvidos e nunca é aproveitada a mão de obra interna. Isso em nada contribui para a valorização e a motivação dos trabalhadores”, criticou o presidente da Associação dos Servidores do GHC, Valmor Almeida Guedes. O presidente do Sindisaúde, Arlindo Ritter, compartilha a opinião. “A diretoria tem que ter conhecimento em saúde pública, tem que ter formação na área. Pena que o critério continua sendo a politicagem.”

Outra preocupação é a possibilidade de redução dos atendimentos e a desvinculação de serviços hoje administrados pelo Grupo, como as 12 unidades de saúde localizadas na Zona Norte da Capital. “Temos que informar a sociedade sobre o que está acontecendo. Está ficando claro nas entrelinhas que, se não nos mobilizarmos e denunciarmos essa situação, o nosso GHC poderá sofrer um impacto na sua estrutura”, alertou a enfermeira Desirée Carvalho.

Também foi alvo de críticas o fato de o ministro ser apoiador da criação de planos de saúde “mais populares”, numa tentativa de aliviar os gastos do governo com o financiamento do SUS. “Querem entregar a saúde da população para o mercado dos planos de saúde”, acusou Ritter.

Para o membro do conselho gestor do GHC,Paulo Goulart dos Santos, o ministro deveria ter aproveitado a vinda ao Estado para buscar soluções para o não fechamento de hospitais, em vez de defender redução do SUS. “O governo mostra que o grande problema da saúde não é discutido”, disse Santos. No dia 10 de agosto, está marcada uma audiência pública, na Assembleia Legislativa, para tratar sobre a defesa do GHC.