Epidemiologista projeta esgotamento da rede hospitalar em março em Porto Alegre

Epidemiologista projeta esgotamento da rede hospitalar em março em Porto Alegre

Ivana Varella sugere reduzir a circulação de pessoas na Capital

Felipe Samuel

Ivana Varella diz que a projeção para os próximos 'dias é assustadora'

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A escalada das internações na rede de saúde da Capital e as dificuldades para ampliar a vacinação da população formam um cenário preocupante para a próxima semana. Na avaliação da coordenadora do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Ivana Varella, a projeção para os próximos 'dias é assustadora'.

Com base nos indicadores fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) sobre o monitoramento das UTIs em Porto Alegre, a epidemiologista explica que se a tendência de alta das internações se mantiver no mesmo patamar desta semana, em 8 de março a estimativa é de que 512 pacientes com diagnóstico para a Covid-19 estejam internados em UTIs. "Estávamos com média de duas hospitalizações por dia em dezembro. Hoje estamos com média de 7,8 por dia de hospitalizados em UTI", compara.

Mais do que o aumento de pessoas em estado grave, Ivana observa que a idade média dos pacientes hospitalizados por conta do novo coronavírus diminuiu. "Se nada acontecer, dificilmente vamos conseguir fazer medidas de proteção com a vacina em período tão curto. As pessoas precisam se conscientizar da necessidade de distanciamento social, que é o que gente tem", destaca. Para frear a disseminação da Covid-19, ela sugere reduzir a circulação de pessoas. "Algo tem que ser feito para diminuir a mobilidade das pessoas, principalmente a mobilidade desnecessária nesse momento crítico", assinala.

A confirmação da nova cepa do vírus, a variante P.1 no Brasil, também é motivo de preocupação e serve de alerta para as autoridades no Rio Grande do Sul. Ela reforça que é preciso estar atento ao que ocorreu em Manaus, com o esgotamento do sistema de saúde, embora destaque que o RS tem melhor estrutura hospitalar. "Ainda temos o plano de contingência para transformar unidades não Covid-19, o que nos deixa um pouco mais confortáveis, mas se as pessoas não colaborarem e evitarem mobilidade desnecessária, acho que fica complicado", completa.


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