Funcionários da Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC) de Porto Alegre estão se passando por clientes para penalizar motoristas da Uber, que oferece transporte privado em carros particulares. A ofensiva contra o sistema, considerado clandestino pela Prefeitura, foi confirmada pelo órgão e relatada à Rádio Guaíba por três trabalhadores da empresa na última semana.
Um deles, que prefere não ser identificado, classifica o método de abordagem como emboscada e lamenta que sigam ocorrendo apreensões às vésperas da regulamentação do aplicativo. “A EPTC se preocupou em fazer emboscadas conosco, nos chamando para pontos onde havia blitze. E nós entendemos que isso é injusto, porque a Uber está em negociação, já tem estudo do Ministério Público. E, ainda, nós temos uma lei federal e a Uber entende que é legal o nosso serviço. Inclusive, os advogados nos dão todo o suporte. Mas é um transtorno e muitos de nós investiram pesado, financiaram carros e dependem de continuar trabalhando para sustentar suas famílias”, alega.
O motorista relata que ao menos oito carros de colegas foram guinchados nessa semana. Desde o final do ano passado, 37 veículos já foram apreendidos por transporte acionado pela Uber ou aplicativos semelhantes. A multa e os custos de guincho e depósito, conforme os motoristas, passam de R$ 7 mil reais.
Estratégia será mantida
Além de confirmar a estratégia, o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, alerta que as operações serão mantidas até a regulamentação do serviço. A Prefeitura prevê enviar o projeto de lei à Câmara até a o início de maio mas, até a aprovação, podem ser necessários mais alguns meses de discussões.
“Dentro da nossa fiscalização, usamos das melhores técnicas e da inteligência para identificar os descumprimentos da lei. No caso dos aplicativos, também está sendo usado o método de chamar pelo aplicativo e, assim, há comprovação do uso do veículo como transporte clandestino. Agora, eles é quem têm de se sentir constrangidos por descumprir a lei, não por ter uma abordagem e a comprovação. É uma inversão de valores”, sustenta.
Colaboração com a Prefeitura
A Uber garante estar colaborando com informações para que o grupo de trabalho da Prefeitura formule a regulamentação. Mesmo assim, a equipe brasileira da multinacional ressalta o entendimento de que opera um serviço legal, previsto pelo Plano Nacional de Mobilidade Urbana, e não pretende suspender as atividades devido a quaisquer intervenções do poder público. A empresa se responsabiliza pelas multas e recorre à Justiça para tentar reaver os valores e, ainda, buscar reparações financeiras da gestão municipal.
EPTC admite acionar corridas da Uber para apreender veículos
Serviço é considerado clandestino pela Prefeitura