O desejo de começar as aulas no novo prédio da Escola Estadual General Neto, na zona Sul de Porto Alegre, terminou em frustração para pais e alunos de uma turma da sétima série na manhã de segunda-feira. A construção do prédio terminou no fim de fevereiro. A inauguração deve acontecer no início do mês, mas o ano letivo para os alunos dessa série não começou.
Ao chegarem à escola, eles receberam a informação de que deveriam buscar outra instituição porque a autorização para a criação da turma ainda está em análise pelo Conselho Estadual de Educação, sem prazo para definição. A situação prejudica diretamente 33 alunos que estavam matriculados. Em tramitação normal, o processo demora o prazo de 120 dias.
O mecânico Alexandre Barcelos se revoltou diante da indefinição de onde a filha Fabíola estudará. "A única informação é que devemos buscar outra escola, sendo que nenhuma próxima tem vagas. Mas é difícil compreender porque tem sala, professores e alunos e não há aula", questionou Barcelos.
Assim como ele, vários pais compareceram à escola com os filhos em busca de uma definição. Para Ana Clara Macedo, mãe da estudante Franciele, a troca de escola vai pesar no orçamento familiar. "Moramos perto e nunca tivemos gastos com passagens. As escolas com vagas para a sétima série são distantes", afirmou ela.
A situação causou ainda mais revolta aos pais e alunos porque, depois de três anos em uma sala dentro de um contêiner, o novo prédio foi inaugurado. Segundo Volmar Pereira, do Círculo de Pais e Mestres, o debate sobre a criação da turma começou no final do ano passado. Ele destacou que a última orientação era de que haveria um atraso de 15 dias no início das aulas e que os pais não deveriam se preocupar.
"Diferente de tudo o que foi acertado, recebemos a informação de que deveríamos buscar outra escola. Isso é um desrespeito com a comunidade", avaliou Pereira. Apesar da pressão feita pela Comissão de Educação da Câmara (Cece), deverá haver um encontro com a 1ª Coordenadora Regional de Educação para discutir o assunto na próxima semana.
Para a diretora da escola, Simone Rocha, a expectativa era de que o processo para a criação da turma fosse rápido, já que existe salas disponíveis. "Depois de vencermos as dificuldades das salas de lata, temos esse problema com a criação da turma. Um começo de ano letivo que deveria ser feliz, ficou desanimador", desabafou ela.
A Secretaria Estadual de Educação (SEC) informou que aguarda o parecer do Conselho para tomar uma providência. A SEC orientou que os pais busquem realizar o mais rápido possível a matrícula dos seus filhos em outras escolas.
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