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Escola Estadual Raul Brasil reabre para atendimento psicológico a funcionários e alunos

Grupo de 30 psicólogos voluntários atua no local, palco de um massacre na última quarta-feira

Por
R7

Não haverá aula durante a semana

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Após o fim do período de luto decretado pela prefeitura de Suzano, em São Paulo, a Escola Estadual Raul Brasil reabriu às 10h desta manhã para oferecer auxílio psicológico a funcionários, alunos e familiares das vítimas do massacre ocorrido na última quarta-feira. Não haverá aulas durante a semana, somente os atendimentos, que podem ser individuais ou coletivos. Na terça-feira, o serviço é voltado para os alunos, e na quarta, é aberto para a comunidade em geral. Para amenizar o trauma, uma equipe de 30 psicólogos atuará na instituição de ensino, que passará por uma "mudança".

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"Tudo o que faça os alunos se sentirem acolhidos será feito. A pintura das paredes será feita assim como outras mudanças", disse Luciana Inocêncio, uma das profissionais selecionadas para ajudar. "Até mesmo para mim é difícil. Fiquei pensando em como eu iria entrar pela porta principal", contou. Haverá um acolhimento que consistirá em ouvir a demanda dos alunos. "É um processo de luto que leva algum tempo. Vamos ouvir a demanda deles. Quem se sente à vontade vira às atividades", completou Luciana. Ela acredita que alguns estudantes irão às atividades, apesar das circunstâncias. "Vamos usar terapias individuais, rodas de conversa e tudo que eles precisarem", assegurou. Segundo ela, todos os professores foram convocados para as atividades.

A programação para o restante da semana será definida nesta segunda-feira. "Os atendimentos individuais já estão ocorrendo, inclusive com equipes indo até o domicílio. Um fato com tamanha proporção de violência necessita de um trabalho a longo prazo. E nesse período, eles terão total atendimento", afirmou. No portão da escola, é possível ver uma placa informando aos pais que os materiais serão entregues a partir desta segunda-feira.


Futuro incerto

Dezenas de pais, alguns acompanhados dos filhos, compareceram ao colégio para retirar os pertences dos alunos - abandonados nas salas de aulas que se iniciaram os tiros. A estudante Carla Tauane Soares, de 17 anos, sobreviveu aos tiros ao ser socorrida pelo professor de matemática. Na manhã desta segunda-feira, ela chegou a escola carregando flores. "Tenho que ser forte e seguir. Não vou voltar a estudar aqui, mas vou levar para sempre essa escola na memória", disse.

"Não sei em qual escola vou estudar e nem quando vou voltar às aulas. Ainda estou refletindo sobre o que aconteceu". A menina lembrou que, para se salvar dos tiros, se trancou em uma das salas. "Comecei a chorar desesperadamente. Tive medo que minha mãe chegasse e acontecesse alguma coisa com ela. Estava tão nervosa que nem consegui ouvir os tiros. Minha mãe entrou na escola em desespero. Hoje vai voltar toda a cena na cabeça, os alunos correndo e pedindo ajuda", contou.

A mãe de Carla, Jenifer Oliveira, relatou que sempre confiou a segurança da filha na instituição. "Nunca deixei minha filha ir em balada, confiava na escola. Não tenho palavras para dizer às outras mães que perderam seus filhos". Em relação à volta da garota para a escola estadual, avaliou que a decisão ainda será tomada. "Conversei e vamos decidir isso juntas, vamos passar pela equipe de psicólogos da escola. Choro direto sempre que lembro, mas temos que ter a iniciativa para tocar a vida", afirmou.

A ex-aluna Ingrid Borges, 20 anos, foi ao local para acompanhar uma amiga que presenciou o massacre e lembra da rotina no colégio. "A escola sempre foi muito segura, sempre abriram as portas para ex-alunos. Mas também sempre teve bullying." Segundo ela, a mudança dos ambientes da escola pode ser uma forma eficiente de acolher os alunos, mas advertiu que o ocorrido será sempre lembrado.