Apesar das melhorias que são feitas para recuperar a Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos nos últimos anos, especialistas alertam que uma nova mortandade de peixes pode ocorrer. Em outubro de 2006, cerca de 1 milhão de animais morreram por problemas relacionados à poluição e à falta de oxigênio na água. "Essa hipótese pode acontecer a qualquer dia devido às condições do rio. Por mais que tenhamos conquistado importantes resultados, trata-se de uma situação que não está dominada", ressalta o professor do Programa de Pós-Graduação em Biologia da Unisinos Uwe Schulz.
O coordenador do Instituto Martim Pescador, Pedro Teixeira, confirma que o problema pode voltar a ocorrer. Contudo, o especialista destaca que os gestores públicos e representantes de entidades conseguiram implementar programas de controle para evitar que um novo desastre se dê no Rio dos Sinos. "Foi um episódio muito forte que serviu de alerta para as prefeituras. Muita coisa mudou desde 2006. Se existe a possibilidade de uma nova mortandade voltar a acontecer, por outro lado a conscientização está bem maior. Caso ocorra um novo episódio, será em menor escala", diz.
Para o presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos (Comitesinos), Silvio Klein, o problema é mais grave entre Campo Bom e Canoas, onde a poluição é maior. Segundo o dirigente, a esperança é que o Plano da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos sirva como instrumento de conscientização e penalização para casos como o que aconteceu em 2006. "O que for decidido nesse documento vai ser público e oficial. Cada integrante da região terá que cumprir o que constar no plano", enfatiza.
Parte das medidas voltadas a melhorias do Rio dos Sinos está na elaboração na recuperação da mata ciliar. Neste ano, começou a ser desenvolvida uma atividade envolvendo entidades e prefeituras do Vale do Sinos no plantio de novas árvores e na revitalização da vegetação no entorno do rio.
Conforme Sílvio Klein, a meta é recuperar 330 hectares em toda a extensão do Rio dos Sinos. "Não queremos apenas plantar as mudas, mas impedir futuras ações que prejudiquem essa vegetação. É uma medida para ser mantida, sem recuar", destaca. Para isso, Klein disse que serão usados mapeamentos digitalizados e monitoramento via GPS para preservar a vegetação do local. "São projetos que estão em fase inicial, mas que mostram a conscientização e que o rio está ganhando uma boa perspectiva de recuperação", complementa.
Outros projetos também são desenvolvidos para minimizar os efeitos danosos da poluição no Rio dos Sinos. O Projeto Dourado é executado desde 2001 pelo Comitesinos e envolve escolas ribeirinhas e próximas ao leito do rio sob coordenação da Unisinos. A atividade visa estudar o impacto nos peixes, com monitoramento da qualidade da água.
Também está em andamento pelo Comitê de Gerenciamento o Projeto Monalisa, que monitora o nível de poluição nos arroios e pontos de impacto na Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos.
Especialistas alertam para risco de nova mortandade de peixes
Cerca de 1 milhão de animais morreram no Rio dos Sinos em 2006