O trânsito de Porto Alegre pode piorar se não houver investimentos urgentes no sistema viário. Especialistas defendem que a Capital precisa de mais recursos para o transporte coletivo, mudando as linhas de ônibus e ampliando o trajeto do Trensurb. Além disso, faltam incentivos e condições para que a população busque alternativas de transporte, seja com bicicletas e ou até caminhando de casa para o trabalho.
Apesar das obras que viabilizarão melhor mobilidade urbana até a Copa do Mundo de 2014, a perspectiva para os próximos anos é negativa. Na visão de especialistas, as intervenções não terão validade a longo prazo, principalmente devido ao crescimento populacional e ao aumento no número de veículos.
Engenheiro e especialista em trânsito, Mauri Panitz destaca que o transporte de Porto Alegre é muito dependente do meio rodoviário. "Precisamos pensar em alternativas fora desse segmento. Não é possível investir apenas em carros e ônibus. É necessário apostar em veículos sobre trilhos", enfatiza.
Panitz cita o Aeromóvel, que fará o transporte de passageiros entre a Estação Aeroporto do Trensurb e o Aeroporto Internacional Salgado Filho. Para o especialista, o modelo poderia ser implantado em locais específicos da cidade. Panitz defende também a ampliação da linha existente do trem em direção à zona Sul de Porto Alegre. "Poderíamos ter trilhos percorrendo a orla do Guaíba", diz.
Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e especialista em trânsito, José Fortini Albano salienta que o trânsito fluirá melhor com a instalação da Linha 2 do Trensurb, na zona Norte de Porto Alegre. "Trata-se de uma obra fundamental, que beneficiará também os moradores da zona Leste."
Albano destaca que a melhoria na infraestrutura dos ônibus que circulam em Porto Alegre compreende outro fator importante para se reduzir o número de automóveis nas ruas. "Temos que motivar os condutores a deixarem seus carros em casa e usarem o transporte coletivo. Para isso, precisamos de bons veículos e melhor mobilidade com sistemas de integração, seja entre os ônibus ou com o metrô", avalia o professor da Ufrgs.
Além de modelos considerados tradicionais, os especialistas defendem a disponibilidade de meios de transporte. Segundo Albano, Porto Alegre precisa incentivar o uso de bicicletas. "Existe um Plano Diretor Cicloviário, que deverá abrir mais de 40 quilômetros de vias. Temos que incentivar esse meio de transporte, com ciclovias direcionadas ao deslocamento do trabalho para casa e vice-versa e não somente para o lazer", destaca.
O professor defende que as pessoas saiam mais a pé. "Para isso, precisamos que as áreas urbanas ofereçam condições visando aumentarmos o número de pedestres. As calçadas necessitam de melhorias e os porto-alegrenses devem se sentir seguros nas ruas", afirma Albano.
O engenheiro Mauri Panitz acrescenta que o Guaíba seria uma alternativa para o transporte coletivo. "Poderíamos ter um sistema com barcos. Somente para torcedores que queiram se deslocar até o Estádio Beira-Rio ou à futura Arena do Grêmio, seria um grande avanço."
Números
- Porto Alegre tem um veículo para cada duas pessoas que moram na cidade.
- Até julho deste ano, 673.736 veículos estavam circulando na Capital.
- De janeiro até julho de 2010, 14.318 novos automóveis começaram a trafegar em Porto Alegre.
- São quase 70 novos carros por dia nas ruas da Capital.
Fonte: Detran/RS
Especialistas apontam falta de alternativas para trânsito da Capital
Perspectiva para Porto Alegre nos próximos anos é negativa