O autor do projeto, deputado Raul Carrion, explicou existem outras iniciativas similares, nos estados e no Congresso, que prevêm a limitação do uso de palavras estrangeiras, e destacou que o projeto é direcionado à escrita. Além disso, o deputado afirmou que muitas pessoas utilizam as palavras estrangeiras por desconhecerem que a mesma existe na língua portuguesa. “É uma oportunidade de as pessoas abrirem o dicionário e buscarem o significado."
O governador Tarso Genro enfatizou que, devido à polêmica da proposta, apenas reunindo diversos especialistas na área e com opiniões divergentes será possível construir uma avaliação mais democrática. “Esse espaço foi aberto exatamente para o governo ouvir as divergências”, afirmou o governador.
O jornalista, escritor e colunista do Correio do Povo Juremir Machado apoiou o debate sobre a redução do uso de palavras estrangeiras. Ele defendeu, ao contrário do que muitos pregam, que existe como traduzir todas as palavras do inglês para o português. O jornalista citou o termo bullying, que pode ser traduzido por “implicância”, sem perder o sentido. “Existe uma relação de poder no uso das palavras. Há um excesso de exibicionismo em querer utilizar as palavras ou expressões em inglês. Não há país sério que não respeite a sua língua”, afirmou ele.
Juremir Machado da Silva participou do evento. | Foto: Vinícius Roratto
O presidente da Associação Riograndense de Propaganda, Daniel Skowronsky, afirmou que a opinião da categoria é contrária ao projeto. Ele explicou que no momento em que o país tem cada vez mais visibilidade internacional, não faz sentido essa legislação. E ressaltou, ainda, que muitos termos em inglês não têm tradução efetiva na língua portuguesa, o que faz com que o sentido seja alterado.
Na parte teórica, a professora do curso de pós-graduação em Letras da Unisinos Ana Maria Stahl Zilla explicou que o português não precisa ser preservado, já que é está entre as dez línguas mais faladas no mundo. Ela lembrou que a língua exerce uma função de poder e que a tradução em determinados casos faz com que o valor social e simbólico existente nas palavras se perca. “Não existe língua pura. As palavras estão colocadas dentro de contextos e a tradução se mostra ineficaz porque se tira o valor delas ao utilizarmos termos similares”, destacou.
Para a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Éda Teixeira Pilla, existem complexidades envolvendo as identidades linguísticas, já que cada uma têm as suas diferenças. Ela lembrou que a palavra “children” tem dois significados em português, criança ou filhos. Assim, a professora ressalta que não há necessidade de se sabotar o português querendo agregar outras palavras, quando a língua de origem já contempla todos os termos.