Transformações tecnológicas, impacto na economia, serviços oferecidos por aplicativos e os desafios pós-pandemia foram alguns dos assuntos tratados em videoconferência promovida nesta quarta-feira pela Federasul. Com o tema "Plataformas digitais: oportunidades na nova economia", especialistas apresentaram panorama do cenário econômico brasileiro e relataram experiências sobre como buscar alternativas em meio à crise.
Representantes das plataformas Buser, de fretamento colaborativo, do Ifood, que opera com tecnologia aplicada à alimentação, reforçaram a necessidade de atualização e adaptação constante das empresas às novas tecnologias. Chefe do setor financeiro do Ifood, Diego Barreto explicou que o uso de tecnologias serve para criar negócios "necessariamente mais baratos e transparentes", além de permitir novas formas de negócios. Barreto avalia que o Brasil é um país "extremamente oligárquico, hierarquizado, elitista, machista e preconceituoso", com poucas pessoas decidindo o futuro da nação. "Precisamos mudar a lógica comportamental do brasileiro", afirmou.
Ao avaliar que é preciso estimular novas profissões, novos desafios e mudanças em conceitos de algumas empresas para se ajustar à nova economia, Barreto observou que muitas pessoas têm aversão a correr riscos. "É preciso ter disposição de mudar e deixar de falar", completou. Ele destacou uma empresa tradicional que realizou transição com sucesso a este cenário de novas tecnologias. Barreto destacou, no entanto, que 2021 é um ano "perigoso". "A gente vai ter impressão de que é um bom ano porque os números econômicos tendem a mostrar", alerta. "É uma péssima conclusão que as pessoas poderão ter, por isso é muito importante prestar atenção nisso", concluiu.
Para o diretor Jurídico e de Políticas Públicas da Buser, Caio Franco, o uso da internet como ferramenta de trabalho permitiu "derrubada de barreiras de entrada" em muitos negócios e permitiu ajuste a novas culturas e tecnologias. "É um elemento essencial do que chamamos de nova economia", afirmou. Ele destaca que algumas empresas tradicionais mantêm métodos operacionais ultrapassados e precisam fazer uma transição. "Muitas vezes temos que nos reinventarmos porque as coisas andam muito rápido", observou.
Ao ser questionado pela presidente da Federasul, Simone Leite, sobre a como buscar alternativas para momentos de crise, Franco destaca a importância de se reinventar em cada segmento. "Se apaixone pelo problema, não pela solução", completa. Franco acredita que as mudanças na atuação das empresas por conta da necessidade de adaptação em meio ao novo coronavírus é um 'ensaio' do que se espera para 2021. "A pandemia acelerou certas transições", ressaltou. Entre os desafios, aponta a importância de gerenciar o crescimento da empresa e avançar em políticas públicas. "2021 vai ser um bom ano, mas para se trabalhar com muito cuidado", frisou.