O primeiro passo para a construção da primeira Estação de Tratamento de Esgoto do município de Imbé foi dado na sexta-feira. O prefeito Pierre Emerim e o diretor-presidente da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), Flávio Presser, assinaram a ordem de início da obra, que deve estar pronta até 2018. O trabalho inicia em até 30 dias. O investimento federal, captado pela Corsan, é de mais de R$ 40 milhões.
Apenas a desapropriação da área onde será construída a estação custou R$ 1,9 milhões. Ela se localiza no bairro Nova Nordeste, atrás da Central de Resíduos Sólidos do município. A obra inicia ainda em março, garante a construtora contratada para a execução. Enquanto isso, a implementação da rede de canalização do esgoto, iniciada em 2014, já está 60% concluída.
Cerca de 30% das residências da área central (da ponte que limita Imbé com Tramandaí até a avenida Não-Me-Toque) serão atendidas pela nova rede cloacal, mas a prefeitura já estuda captar mais recursos para contemplar todos os 46 mil domicílios do município. “A obra tem que ser feita pouco a pouco por causa da intervenção nas ruas da cidade”, explicou Presser. Durante a temporada, os trabalhos foram suspensos em algumas zonas da cidade, mas reiniciam plenamente em março.
Em um segundo momento, após a estação já estar em funcionamento, os veranistas e residentes da praia terão que ligar suas residências e comércios à rede. A despesa ficará a cargo dos particulares. Hoje, a maioria das residências utiliza fossa. “Sabemos que muita gente não vai querer, mas fazer a ligação geraria um custo a mais para a prefeitura. Teremos que notificar os moradores”, apontou Emerim. Como exemplo de problemas gerados pela falta de ligação à rede de esgotos, ele citou a praia de Canasvieiras, em Florianópolis. Neste verão, a água do mar acabou contaminada por esgoto. “Isso ocorreu pela utilização de redes paralelas, que às vezes de conectam indevidamente "a rede pluvial que chegam ao mar.”
Desde 1989, o Ministério Público Federal cobra de Imbé a implantação da rede clocal. Ainda na década de 1980, uma ação foi ajuizada contra o município. A sentença definitiva, que obrigou a construção, saiu em 2005. “Até então, o município fazia acordos para não cumprir a determinação”, esclareceu o prefeito, que assumiu a prefeitura em 2013. Em até dois anos, Imbé une-se às demais três praias do litoral Norte gaúcho que já possuem rede de esgoto, mesmo que ainda parcial: Torres, Capão da Canoa e Tramandaí.
Confronto de versões
O anúncio da construção gerou um confronto de versões entre a gestão municipal atual e a anterior. O ex-prefeito de Imbé, Darcy Dias, afirma que foi ele quem deu o pontapé inicial para a construção do encanamento do esgoto do município em 2012, após pressionar a Corsan que, segundo ele, descumpriu um acordo judicial.
O atual prefeito, Pierre Emerim, havia informado na sexta-feira, quando da assinatura do contrato para a construção da ETE, que a implementação da rede cloacal foi iniciada em 2014. “Em hipótese alguma empurramos com a barriga a construção da rede”, explicou Dias. Ele afirma que quando assumiu a prefeitura em 1997, todas as obras do município estavam embargadas por descumprimento de determinação judicial, que obrigava o início da construção da rede. Através de uma liminar, o embargo foi desfeito.
Apenas em 2011, ainda segundo o ex-prefeito, a então diretoria da Corsan teria se comprometido junto à justiça federal a executar a rede de esgoto de Imbé. Nesse período, a gestão de Dias – que seguiu de 1997 até 2004 na prefeitura, elegeu um sucessor até 2009 e ficou no cargo até perder o pleito para Emerim em 2012 – chegou a ameaçar privatizar toda rede de água e esgoto do município, por entender que a Corsan agia de forma irresponsável. “O projeto (da rede de esgoto) já existia desde 2008, mas foi mudado. Há R$ 4 milhões em canos que já foram enterrados no Centro. Não sei por que não continuaram o trabalho já em andamento”, critica Dias.
O projeto elaborado em 2008, segundo o ex-prefeito, previa um acordo com o município de Tramandaí, que ganharia mais de R$ 40 milhões para reformar sua Estação de Tratamento e receberia o esgoto de Imbé por canos que atravessariam a Barra do Rio Tramandaí. Outros R$ 26 milhões, ainda segundo ele, ficariam para a Corsan executar a canalização do saneamento de Imbé. “Fico feliz que a Corsan agora cumpra o que foi acertado na justiça federal durante o meu governo.”
Estação de Tratamento de Esgoto deve ficar pronta até 2018 em Imbé
Investimento federal, captado pela Corsan, é de mais de R$ 40 milhões