Estabelecimentos comerciais se preparam para o novo decreto em Porto Alegre

Estabelecimentos comerciais se preparam para o novo decreto em Porto Alegre

Segunda-feira é de adequações e divide opiniões na Capital

Cláudio Isaías

Fechamento do Mercado Público pelas próximas duas semanas é lamentado por clientes

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A manhã de segunda-feira foi de ajustes no funcionamento de diversos estabelecimentos comerciais de Porto Alegre, que a partir desta terça-feira serão atingidos pelo novo decreto da prefeitura de Porto Alegre. Com a publicação do decreto 20.639, o Executivo municipal pretende conter o avanço da disseminação da Covid-19 na cidade. No Centro de Treinamento Marroni, na rua Itaboraí, no bairro Jardim Botânico, a proprietária Ana Paula Marroni tratou de distribuir o material (pesos e colchonetes) para que os alunos possam realizar pelos próximos 15 dias as atividades físicas em casa através de vídeo chamadas. "A partir de terça-feira, estaremos de portas fechadas respeitando a determinação do decreto", destacou.

Já na ferragem Figueiredo, na rua Barão do Amazonas, no bairro Petrópolis, os funcionários explicaram que o estabelecimento segue todas as regras de prevenção ao coronavírus com a colocação de área de isolamento, demarcações no chão da loja e o fornecimento de álcool em gel. Além disso, foi colocado um cartaz sobre o uso da máscara no estabelecimento comercial. Fabrício Silveira, proprietário de um salão de beleza na rua Barão do Amazonas, disse que já informou os clientes que o estabelecimento permanecerá fechado pelos próximos 15 dias. "A nossa ideia é retomar as atividades, se der tudo certo, mais para o final de julho", ressaltou.

No Mercado Público de Porto Alegre, um dos mais tradicionais pontos comerciais da cidade, os frequentadores lamentaram o fechamento nas próximas duas semanas. O aposentado Altair Severo da Rosa, morador do bairro Santana, lamentou o fato dos clientes não poderem mais entrar no estabelecimento. "Venho pelo menos duas vezes por semana no Mercado", explicou. A dona da casa Araci Gonçalves, moradora do bairro Menino Deus, considerou extrema a medida da prefeitura. "O acesso ao Mercado Público podia ser controlado e seguindo um protocolo de prevenção como o uso de máscara e álcool em gel", ressaltou. Ela disse que frequenta o local há mais de 20 anos pelo menos duas vezes por semana. 

A presidente da Associação dos Permissionários do Mercado Público de Porto Alegre, Adriana Kauer, disse que os comerciantes estão apavorados, desesperados e tristes com o novo decreto da prefeitura. Ela defendeu a proposta de que pudesse ser feita a entrada controlada de clientes como ocorre nos supermnercados. Segundo a presidente, o sistema de tele-entrega e take away (pague e leve) não vão suprir a demanda dos permissinários. “Nossos clientes preferem o contato com os produtos”, ressaltou.

O presidente do Sindilojas, Paulo Kruse, disse que é necessário apontar uma previsão para a retomada das atividades econômicas na Capital. "Os lojistas não aguentam mais, não há como manter o negócio com portas fechadas. Colaboradores estão sendo demitidos e muitas lojas fechando", acrescentou. Uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Pesquisa do Sindilojas Porto Alegre apontou que os lojistas estimam uma demora média de 11 meses para recuperação do comércio em Porto Alegre. O dado preocupa o setor, que deverá ter perdas significativas durante o ano de 2020 em função da pandemia do novo coronavírus. 

A partir desta terça-feira está prevista a suspensão, por 15 dias, do funcionamento do Mercado Público, de academias de ginástica e de lojas de eletrônicos e telefonia, de salões de beleza, estéticas e concessionárias e revendas de veículos em Porto Alegre, além de templos religiosos e igrejas. Também há restrição de funcionamento de lojas de materiais de construção e ferragens, no sentido de que atendam um cliente por atendente.

 


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