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Estado ganhará nova base aérea em Santa Maria

Local deve incrementar ações de segurança durante a Copa de 2014

Curso é realizado no Centro de Formação Aeropolicial, em Capão da Canoa
Curso é realizado no Centro de Formação Aeropolicial, em Capão da Canoa Foto : Divulgação BM / CP
Ao completar 22 anos, o Batalhão de Aviação da Brigada Militar (BAv-BM) parte para mais uma empreitada. A unidade está se estruturando para abrir mais uma base no interior do Rio Grande do Sul. O novo local fica dentro da Base Aérea da Força Aérea Brasileira (FAB), em Santa Maria, no Centro do Estado, que vem juntar-se as de Caxias do Sul, de Uruguaiana e da Capital. O local deve ser inaugurado até o final deste ano e deve incrementar as ações de segurança aérea, em especial durante da Copa do Mundo de 2014, quando Porto Alegre será um das cidades-sedes. Isso, no entanto, já está sendo feito, uma vez que torcidas organizadas argentinas, quando da disputa da Copa Libertadores da América, foram acompanhadas por helicópteros, desde a entrada no Brasil, por Uruguaiana. O campo suplementar do Beira-Rio foi transformado, em dias de jogos, em uma espécie de heliporto, o que permite agilidade no caso de transferência de feridos ou de retirar alguma autoridade, em caso de tumultos.

Atualmente, a unidade dispõem de 15 aparelhos, sendo 11 aviões de modelos como o Ximango, Bonanza, Seneca III, entre outros, além de quatro helicópteros, modelos Schwaizer 300 CB e 300 C, de um MD 500 E e um esquilo. A história do batalhão começa bem antes de sua efetiva criação. Em 6 de agosto de 1915, o então comandante-geral da BM, coronel Affonso Emílio Massot, propôs ao presidente do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros, a criação de uma escola de aviação. Medeiros não aceitou a ideia, alegando que este assunto era da alçada do governo federal e do Ministério da Guerra. Oito anos depois, o Estado enfrenta o movimento revolucionário de Assis Brasil e Massot volta a apresentar o projeto de introduzir a aviação na Brigada Militar. Desta vez, sai vitorioso: o Decreto Estadual nº 3161, de 28 de maio de 1923 regulamenta o serviço de aviação da BM.

Essa unidade começou a funcionar no Posto Veterinário, na Várzea do Gravataí, onde atualmente está localizado o Aeroporto Internacional Salgado Filho. É o mesmo local onde, atualmente, está a sede do BAv-BM. Foram adquiridos dois aviões de fabricação francesa, Breguets 14, de 300 HP, de segunda mão. A pista tinha 600 metros e a unidade contava com dois hangares, um fixo e outro desmontável, além de alojamentos. "Era um tempo heróico, cujo voo era feito sem instrumentos, apenas no visual", comenta o ex-comandante-geral da BM, coronel da reserva Jerônimo Braga. "Essa unidade foi usada mais para guerra, pois tinha como missão observar o movimento das tropas revolucionárias".

Aeronaves homenageiam pioneiros

Para pilotar os aviões foi contratado o ex-sargento do Exército Noêmio Ferraz, que hoje empresta o nome para a maior honraria do BAv-BM. O copiloto era Osório Oliveira Antunes. Os aparelhos, com a identificação BM-1 e BM-2, foram equipados com fuzis e lança bombas, similares aos aviões usados na 1ª Guerra Mundial. Hoje, a designação dos aparelhos do batalhão é Guapo, em homenagem a esses dois pioneiros. Com tudo pronto, o primeiro voo ocorreu em 30 de maio de 1923. As bombas, construídas pela própria BM, tinham mais efeito moral do que de destruição.

O explosivo se destinava a espantar as montarias. Ferraz  e o copiloto fizeram, pelo menos, nove sobrevoos em cidades do interior, perfazendo cerca de 200 quilômetros. "O fuzil era manejado pelo copiloto, que não dispunha de nenhum instrumento para atirar, apenas mirava e disparava", ressaltou Braga. "A mesma coisa com a bomba, que ele (copiloto) pegava e a lançava, mas apenas mirando com os olhos".

Em 9 de agosto de 1923, o BM-1 decolou a Várzea do Gravataí, em mais uma missão de observação. No regresso, quando estavam próximos da base, o avião pegou fogo. Ferraz, mesmo sendo chamuscado pelas chamas, fez um pouso de emergência, aterrissando próximo a um morro. O impacto foi forte, jogando Ferraz para longe do aparelho, mas conseguiu sobreviver. Antunes não teve a mesma sorte e morreu carbonizado. Depois do acidente, os voos passaram a ser feitos pelo BM-2. No entanto, as panes seguidas e a falta de possibilidade do Estado em adquirir novos aviões, marcou a extinção do serviço.

A aviação na BM voltaria somente depois de 65 anos depois do primeiro voo. Em 1988, de acordo com Braga, o então governador Pedro Simon foi, juntamente com o coronel, a uma feira de aeronáutica. Lá, uma empresa italiana lançou um motoplanador, que permitia voos em baixa altitude e velocidade. Algum tempo depois, relembra Braga, a ideia evoluiu e foi criado um grupamento com três motoplanadores e um helicóptero, em 22 de setembro de 1989. O primeiro comandante da unidade foi o capitão Ataídes Morais. "No ano seguinte, os oficiais interessados em pilotar os aparelhos fizeram o curso, inclusive a Gendarmeria argentina nos visitou para ver como eram os aviões", contou o ex-comandante-geral da BM. "Eles queriam fabricar modelas desse tipo, mas tanto lá como aqui, o conceito é que o helicóptero era o aparelho apropriado". Em seguida, foi criado o Centro de Formação Aeropolicial (CFAer), em Capão da Canoa, já tendo formado policiais de outros Estados.

Tecnologia avançou, mas coragem dos pilotos ainda é necessária

Passados 88 anos do primeiro voo da "Força Aérea Gaúcha", a situação mudou bastante, a começar pela tecnologia dos aparelhos que avançou muito, tornando aviões e helicópteros mais seguros. No entanto, a mesma coragem exigida em meados do século passado, ainda é necessária atualmente, assim como a persistência. Ambas são requisitos para um policial militar fazer parte do Batalhão de Aviação da BM (BAv-BM). O curso é realizado no Centro de Formação Aeropolicial (CFAer), em Capão da Canoa, e deve ser concluído pelos aspirantes em meados do ano que vem.

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