Dois anos depois de provocar no país um surto de infecção hospitalar de proporções inéditas no mundo, a micobactéria de crescimento rápido pode ter voltado a contaminar dezenas de pacientes em Manaus, no Amazonas, e em Carazinho, no interior gaúcho. Nesta nova onda, foram registrados 78 casos suspeitos de contaminação, segundo um levantamento da Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa).
Na capital amazonense, o problema está concentrado no Hospital Santa Júlia. Em Carazinho, o Hospital de Caridade tem casos investigados pela Secretaria Estadual da Saúde. De acordo com o diretor do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, Francisco Paz, uma nota técnica vai ser divulgada na manhã desta sexta-feira, esclarecendo a situação.
De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo, que tornou públicas as suspeitas, embora os estudos ainda não tenham sido concluídos, a suposta origem das novas contaminações é a mesma que provocou o surto entre 2006 e 2008: o uso de equipamentos de videoscopia sem esterilização e desinfecção adequada.
"É uma crônica de morte anunciada", afirmou a diretora do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, Margareth Dalcolmo. "O controle de infecções hospitalares continua precário no País", alertou. Margareth contou que, nos casos recentes, a micobactéria apresentou uma resistência maior aos remédios usados para tratamento. "Uma parte dos pacientes tem de ser tratada com drogas endovenosas, algo que requer um cuidado maior."
Atualmente, a terapia necessária é mais cara e longa - no mínimo seis meses. "É um problema que preocupa: pelas características do agente da doença, pelo sofrimento humano, pela duração do tratamento", acrescentou a diretora.
Nesta noite, o diretor do CEVS, Francisco Paz, explicou à Rádio Guaíba que a infecção não chega a se agravar, mas que, por ser crônica, leva mais tempo para ser curada, atingindo, sobretudo, a parede abdominal do paciente. O médico confirmou que outras instituições de saúde no Estado já registraram o surto.
Depois de mais de dois mil casos registrados até 2008, envolvendo pacientes que fizeram videolaparoscopia, artroscopia e lipoescultura, a Anvisa divulgou novas regras para desinfecção dos aparelhos. Algo que, para Margareth, não foi adotado em todo o País. "O paciente teoricamente escolhe a técnica por ser menos invasiva e, por causa do material não esterilizado, acaba sendo vítima de infecção grave.
(Com informações do Estado de São Paulo)
Estado recebe nesta sexta relatório sobre suposto surto de micobactéria em hospital de Carazinho
Anvisa relatou 78 casos suspeitos de contaminação