Entre os gaúchos, os índices de arrecadação de armas também são considerados baixos. Desde 2004, cerca de 45 mil foram entregues voluntariamente, no Estado. Segundo a Polícia Civil, no Rio Grande do Sul existem cerca de 800 mil armas. As estatísticas também apontam uma proporção de quase três novas armas registradas para cada uma devolvida.
Para o superintendente da PF no RS, delegado Ildo Gasparetto, aspectos culturais, especialmente na zona rural, onde famílias historicamente guardam armamentos em casa, contribuem para o Estado caminhar na contramão da campanha federal. "Basta lembrar que no referendo sobre a proibição da venda de armas, em 2005, os gaúchos votaram massivamente contra", lembrou.
Gasparetto entende que a campanha tem sido eficiente ao evitar crimes culposos, nos quais o autor não tem intenção, a exemplo de acidentes com armas em casa. "Claro que, para combater bandidos e os crimes contra vida, precisamos trabalhar para apreender as armas", reconheceu.
Desde o dia 1º de janeiro deste ano, quem possui arma sem registro deve entregá-la à PF, sob pena de ser preso pelo crime de porte ilegal. Já para comprar uma nova, é preciso registrá-la (o que permite guardar o armamento em casa) no órgão, e solicitar a expedição do porte (viabilizando o uso).
Conforme o Ministério da Justiça, desde o início da campanha do desarmamento, os índices de homícidios caíram 11% no Brasil. A entrega voluntária de armas pode ser feita em qualquer delegacia da PF, em horário comercial.