O trabalho nas escolas, conforme Velasquez, é decisivo para reconhecer uma criança vítima de abuso. “É o local onde o segredo se rompe. A criança não vai contar o que sofreu. É preciso observar os sinais, pois quem deveria proteger, em muitos casos, é quem acaba causando o dano”, advertiu.
Segundo ele, o trabalho com os professores é fundamental para que comportamentos comuns na adolescência, por exemplo, não sejam confundidos com indícios do abuso. “É preciso atenção quando o jovem tem uma mudança repentina, rejeita aproximação ou não gosta de demonstrações de carinho. Muitas vezes um comportamento agressivo pode ser confundido com indisciplina”, alertou.
Velasquez lembrou que, na Educação Infantil, a sexualização precoce precisa ser observada com mais atenção. Os abusos devem ser informados pelo telefone 100. Segundo ele, a maioria das denúncias é feita através do Conselho Tutelar. “Os gaúchos não estão entre os que mais denunciam no Brasil, mas a mobilização para isso acontecer está aumentando.”
A presidente da Cedecondh, vereadora Maria Celeste, destacou a importância de o tema ser discutido nas escolas. “Precisamos mostrar para a comunidade os indícios de que o problema pode estar acontecendo e reforçar a rede de atendimento. É necessário profissionais de diferentes áreas para atender bem a criança”, observou.xc