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Estado tem um caso de abuso sexual a cada três horas

Alerta foi feito na I Jornada Municipal, realizada na Câmara dos Vereadores de Porto Alegre

O Rio Grande do Sul registra um caso de abuso sexual a cada três horas, segundo o secretário-adjunto da Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH), Miguel Velasquez. O alerta foi feito nesta quarta-feira, na I Jornada Municipal de Enfrentamento à Violência, ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, promovida pela Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh), da Câmara dos Vereadores de Porto Alegre, na Ilha da Pintada. “Esta estatística se refere exclusivamente aos casos que chegam ao conhecimento da polícia. Sabemos que muitos não são denunciados pelo medo das vítimas, já que 80% dos agressores estão dentro da família”, disse.

O trabalho nas escolas, conforme Velasquez, é decisivo para reconhecer uma criança vítima de abuso. “É o local onde o segredo se rompe. A criança não vai contar o que sofreu. É preciso observar os sinais, pois quem deveria proteger, em muitos casos, é quem acaba causando o dano”, advertiu.

Segundo ele, o trabalho com os professores é fundamental para que comportamentos comuns na adolescência, por exemplo, não sejam confundidos com indícios do abuso. “É preciso atenção quando o jovem tem uma mudança repentina, rejeita aproximação ou não gosta de demonstrações de carinho. Muitas vezes um comportamento agressivo pode ser confundido com indisciplina”, alertou.

Velasquez lembrou que, na Educação Infantil, a sexualização precoce precisa ser observada com mais atenção. Os abusos devem ser informados pelo telefone 100. Segundo ele, a maioria das denúncias é feita através do Conselho Tutelar. “Os gaúchos não estão entre os que mais denunciam no Brasil, mas a mobilização para isso acontecer está aumentando.”

A presidente da Cedecondh, vereadora Maria Celeste, destacou a importância de o tema ser discutido nas escolas. “Precisamos mostrar para a comunidade os indícios de que o problema pode estar acontecendo e reforçar a rede de atendimento. É necessário profissionais de diferentes áreas para atender bem a criança”, observou.xc

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