Os recursos serão aplicados nas áreas rurais da Serra do Botucaraí, da Região Sul e do Alto Médio Uruguai. A divulgação foi feita antes do debate “Dez Pontos para uma Plataforma da Tecnologia Social na Rio+20”, na Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. O evento contou com a participação da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. Na ocasião, ambos assinaram um termo de cooperação técnica para instalar 60 mil cisternas no Nordeste do Brasil.
Streit contou que uma parceria foi firmada com o governo do Estado para promover a tecnologia social de agricultura, sem uso de produtos tóxicos e com a preocupação de preservar o meio ambiente. “Os recursos do Banco do Brasil serão aplicados com essa finalidade”, afirmou.
Tereza Campello analisou que o programa é uma das tecnologias sociais que ajuda a minimizar a pobreza no Brasil. Segundo ela, atualmente há 16 milhões de pessoas abaixo da linha da miséria (ganhando menos de R$ 70,00 por mês). “Estamos conseguindo construir uma estratégia para combater a crise, focando na economia popular, que gera empregos”, explicou. Ela falou que o meio-ambiente não está dissociado da questão social. “A ideia é crescer, incluir e preservar”, ressaltou.
A ministra salientou, ainda, que o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) vem trabalhando no Rio Grande do Sul para buscar famílias pobres que ainda não estão incluídas no Bolsa Família. “Já foram localizadas 40 mil desde o ano passado”, informou. Além disso, o MDS está desenvolvendo um plano para qualificação profissional no Estado. “Também iremos instalar sete mil cisternas a partir de março”, complementou.
Um dos participantes do debate, o coordenador do Observatório do Movimento pela Tecnologia Social da América Latina, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS-UnB), Ricardo Neder, a tecnologia se foca na inovação empresarial, ou na política social. “A tecnologia social ocorre a partir de uma demanda da população e não tem objetivo comercial”, explicou. Ele deu o exemplo de como as melhorias em uma casa de farinha podem resultar em emprego e renda. “São pequenas coisas que podem resultar em um benefício para diversas pessoas.” Além disso, ele destacou a importância da construção de cisternas para lidar com a falta de água em determinadas regiões.