Estiagem no RS será agravada pelas altas temperaturas e o fenômeno La Niña

Estiagem no RS será agravada pelas altas temperaturas e o fenômeno La Niña

Situação dos rios não melhorou apesar das chuvas nos meses de junho e julho de 2020

Cláudio Isaías

Estiagem no RS será agravada pelas altas temperaturas e o fenômeno La Niña

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A estiagem no Rio Grande do Sul será agravada pelas altas temperaturas, pela ausência de recarga hídrica no ano passado e pela presença do fenômeno La Niña. Em 2020, principalmente entre os meses de janeiro a maio, as bacias hidrográficas do Estado não tiveram a recarga hídrica. A hidróloga Marcela Nectoux, da Sala de Situação da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), explicou que mesmo com a ocorrência da chuva nos meses de junho e julho do ano passado não foi possível melhorar a situação dos rios.

Nesta segunda-feira pela manhã, quem circulou pela região do Guaíba conseguiu perceber as marcas da estiagem em diversos pontos do Guaíba nas proximidades do anfiteatro Pôr-do-Sol, no Centro Histórico de Porto Alegre. Marcela Nectoux ressaltou que em 2020 houve recorde de cidades gaúchas que decretaram situação de emergência em função da estiagem. Foram mais de 90% de um total de 497 municípios.  

Volumes de chuva 

De acordo com a Sala de Monitoramento Hidrológico da Sema, nas últimas 24 horas os maiores volumes de chuva ocorreram nas bacias do Nordeste do Estado: Apuaê-Inhandava (15 a 35mm), Taquari-Antas (5 a 38mm), Caí (30mm), Sinos (10 a 35mm), Gravataí (15mm), Guaíba (20mm), Tramandaí (45mm) e Mampituba (25mm). Nas estações monitoradas os rios Caí, Sinos, Ibicuí e Uruguai encontram-se em elevação. 

O destaque é as chuvas ocorridas nas últimas 72 horas ajudaram na mitigação da baixa disponibilidade hídrica em boa parte das bacias gaúchas. A condição hidrológica de "Alerta" em função da baixa disponibilidade hídrica segue indicada para as bacias do Santa Maria, Negro, Ibicuí, Butuí-Icamaquã, Piratinim, Ijuí, Turvo-Santa Rosa-Santo Cristo, Passo Fundo, Várzea, Vacacaí Mirim, Pardo, Sinos, Caí, Gravataí e Rio Uruguai em todo o seu trecho. Já as demais bacias como o Guaíba, em Porto Alegre, seguem inicialmente em condição hidrológica de "Atenção".

Chuvas abaixo da média 

Com a previsão de persistência do fenômeno La Niña durante o verão, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica a possibilidade de chuvas abaixo da média, no Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina e sul do Paraná. Já a Somar Meteorologia destaca que a Região Sul passa por uma estiagem prolongada que mantém baixo o nível de reservatórios e compromete o desenvolvimento agrícola, como o milho do Rio Grande do Sul. 

Os prognósticos apontam que o fenômeno La Niña deverá prosseguir até pelo menos o mês de abril, mas seus efeitos na atmosfera serão vistos até meados de 2021. Para o trimestre dezembro/janeiro e fevereiro, há previsão de chuva abaixo da média na Região Sul, além do sul do Paraguai, todo o Uruguai e centro e norte da Argentina. Ou seja, embora tenha voltado a chover mais frequentemente sobre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, ainda há risco de cortes abruptos da precipitação e estiagens regionalizadas a partir de fevereiro, sobretudo na região sul do Rio Grande do Sul.


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