Na zona Sul, no bairro Nonoai, o trânsito na rua Cachoeira foi bloqueado no fim da noite pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). O local fica em cima de uma galeria do DEP, e corre risco de afundamento. A Defesa Civil Estadual foi acionada e fará uma vistoria nesta sexta, juntamente com a Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov).
O volume de chuva registrado em 80 minutos, no início da tarde desta quinta-feira, foi equivalente à precipitação esperada para 21 dias: 71mm, na zona Norte da cidade, segundo a MetSul Meteorologia. De acordo com o diretor-geral do Departamento de Esgotos Pluviais (Dep), Ernesto Teixeira, duas tampas do Conduto Álvaro Chaves (sistema de condução da água da chuva para o Guaíba) foram arrancadas pela força das águas. "Doze parafusos industriais que prendiam as tampas foram pelos ares devido à pressão. Isso é uma coisa assustadora”, relatou.
Para esta sexta-feira, o Dep convocou a empresa que construiu o conduto para verificar o que houve: “isso não pode acontecer”, enfatizou o diretor. Teixeira explica, no entanto, que as chuvas de hoje e de terça-feita podem ser chamadas de “diluvianas”, e não ocorrem com frequência. Ele arriscou dizer, inclusive, que Porto Alegre pode passar anos sem que uma precipitação tão forte se repita.
Ele assegurou que a chuva desta quinta foi pior que a de terça-feira passada. Em alguns pontos, segundo Teixeira, o arroio subiu até 2,3 metros acima do nível normal. "Por meia hora, o Dilúvio não transbordou, como na semana passada", disse o diretor, acrescentando que o problema só não foi pior em função da dragagem do lixo, que é constante na região. “Não há sistema no mundo, nem em Tóquio, que aguente uma chuva dessas”, assegurou.
Além da quantidade da chuva em pouco espaço do tempo, Teixeira também atribuiu os alagamentos ao lixo que é depositado nas ruas ou jogado nos arroios da Capital, especialmente no Dilúvio. Segundo ele, os resíduos dificultam em 60% o escoamento. “A força da água levou o lixo para dentro das bocas de lobo”, relatou.
O diretor ressaltou os esforços de diversas secretarias da Capital em ações de educação ambiental e falou da necessidade da conscientização da população para a coleta do lixo. “Não adianta só cobrar do poder público. Nós temos nossa responsabilidade, mas se não temos ajuda do cidadão, fica difícil”, salientou.
Segundo Teixeira, a prefeitura de Porto Alegre prepara ou já iniciou obras em quase todos os locais que voltaram a alagar. Na avenida São Pedro, a obra deve começar em 10 dias. Na rua Santana, a casa de bombas deve ser entregue até 10 de fevereiro. Na avenida Erico Verissimo, uma intervenção vai ser feita, ainda durante o mês de janeiro, para conter a enxurrada. No início de fevereiro, serão entregues as novas comportas dos portões da avenida Mauá: “Foram todos recuperados (portões), receberam trilhos novos. Todos eles vão fechar automaticamente. É o que há de mais moderno no Brasil”, garantiu.
Conforme o diretor do DEP, a Prefeitura está investindo quase R$ 40 milhões em tubulações de esgotos pluviais para minimizar os alagamentos na cidade.