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Estrutura do Estaleiro Só é demolida em Porto Alegre

Local ocupava uma área de mais de 50 mil metros quadrados junto ao Guaíba

Estaleiro foi desativado em 1995
Estaleiro foi desativado em 1995 Foto : Mateus Bruxel
A antiga e abandonada fachada do Estaleiro, no bairro Cristal, na zona Sul de Porto Alegre, não existe mais. Desde o início da manhã desde sábado, máquinas da Construtora e Pavimentadora PFC iniciaram a demolição da estrutura, mudando a paisagem da orla do Guaíba. De acordo com operários, o trabalho de limpeza e preparação do terreno começou há quase um mês, mas foi com a queda das paredes dos galpões do velho estaleiro é que o trabalho foi revelado à população.

Apesar da venda do terreno para empresa privada BM Par Empreedimentos, o destino da área foi alvo de plebiscito popular no ano passado. Foi em 23 de agosto de 2009, que a expressiva maioria dos portoalegrenses votantes decidiram que o uso da área não poderia servir para abrigar prédios residenciais. Dos 22 mil votantes, 18 mil disseram "não" a intenção da empresa. O desejo popular foi confirmado no plano diretor, que permite apenas a construção de estruturas com uso comercial na área.

O Estaleiro Só, que ocupava uma área de mais de 50 mil metros quadrados junto ao Guaíba, foi desativado em 1995. Ele foi fundado em 1850. Foi a primeira ferraria e fundição que se tem notícia na Capital, estabelecida na esquina da Rua Uruguai com a Praça Montevidéu, no coração de Porto Alegre. Em 1900, depois de várias alterações societárias, passou a se chamar Só e Filhos e, posteriormente, Só e Cia., mudando, também, diversas vezes de endereço.

Produziram ferros, sinos para igrejas, tachos de cobre e, durante a guerra do Paraguai, forneceram bocais, estribos e cornetas para o Exército em operação. Neste período, parece ter se desenhado a vocação da empresa, que também passou a fazer reparos na frota naval da Marinha Brasileira. Seu apogeu foi durante a década de 70, quando já se chamava Estaleiro Só S.A e no endereço, onde hoje já não resta mais nada. Produziu mais de 170 embarcações, cerca de 30 modelos de navios, entre eles ferry-boats, navios-tanque, baleeiras, rebocadores, iates e pesqueiros.

Os anos 80, no entanto, foram implacáveis com o setor naval no Brasil, que sofreu um forte declínio, principalmente devido à falta de financiamentos. O Estaleiro Só iniciou, então, um processo de diversificação de suas atividades, abrindo uma divisão de metal-mecânica, destinada à fabricação e pré-montagem de caldeiraria pesada, semi-pesada e leve. Esta iniciativa, que chegou a dar uma sobrevida ao empreendimento, não foi suficiente para mantê-lo ativo nos anos que se seguiram.