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Estudante de medicina transplantado participa de cirurgia cardíaca

Procedimento ocorreu no último dia do estágio no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre

Futuro médico acompanhou paciente na saída do hospital
Futuro médico acompanhou paciente na saída do hospital Foto : Vinícius Roratto
No último dia do estágio no Instituto de Cardiologia (IC), em Porto Alegre, no dia 31 de julho, o estudante Pablo Mondin Py, de 31 anos, que cursa medicina na Universidade Federal do Rio Grande (Furg) realizou o sonho de todo o profissional: participar de um transplante de coração. Em 2004, no mesmo hospital, Py foi submetido ao mesmo tipo de procedimento e prometeu à equipe médica ao receber alta que faria Medicina e voltaria ao local para, como os futuros colegas de profissão, também salvar vidas.

Passados oito anos do procedimento cirúrgico, o estudante foi protagonista da história do funcionário público Erni Sebastião Paiva Barros, de 50 anos, que tem um novo coração batendo no peito. “Era meu sonho participar de uma cirurgia. Estava frustrado porque isso não iria acontecer já que o estágio estava terminando”, explicou.

Py participou da equipe dos cirurgiões cardíacos Álvaro Albrecht e Renato Kalil. A história dele foi revelada aos outros profisisonais por Albrecht, ainda no bloco cirúrgico. “Ele me perguntou se podia contar a minha história aos médicos. A equipe ficou surpresa com a descoberta de que um transplantado participava da cirurgia”, destacou.

Nesta sexta-feira, Py completou a outra parte da história ao conhecer Barros, que recebeu alta do hospital e seguiu para Rio Pardo, sua cidade natal. “Fiz de tudo. Tirei fotos do procedimento, desde a captação no Hospital Cristo Redentor até o IC, onde foi realizada a cirurgia”, comentou.

Na conversa entre o paciente e o estudante de medicina no quarto 178 do Instituto de Cardiologia, Py disse que meditou bastante em casa. “Pedi que desse tudo certo. Em momento algum fiquei nervoso e torci muito por ele”, ressaltou. Barros falou que ficou surpreso ao saber da história do futuro médico e que se recupera bem da cirurgia. “Não caiu a minha ficha. Estou muito feliz e preparado para a festa de um ano do meu neto em Xanxerê, em Santa Catarina”, afirmou.

Na saída do hospital, Barros estava acompanhado da esposa Rosane Marçal, dos filhos Maurício e Mauro, e da sobrinha Tatiane. Ele, que era doente cardíaco há 15 anos, estava na fila de espera por um transplante desde dezembro do ano passado. “Agora é retomar a vida e seguir as recomendações dos médicos”, explicou.

Barros aproveitou a oportunidade para reforçar a importância da doação de órgãos. Ele mandou confeccionar 500 adesivos com a mensagem: “Seja um doador de órgãos”. O material foi distribuído em Rio Pardo.

Sobre o futuro, o estudante de Medicina disse que pretende seguir a carreira de cirurgião. Para que isso ocorra, ele terá que realizar mais seis anos de residência. No dia 15 de dezembro, ocorre sua formatura na Furg.

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