Geral

Estudantes fazem caminhada e provocam lentidão no Centro

Grupo foi até o Palácio Piratini reivindicando mais investimento na educação

Caminhada seguiu até o Palácio Piratini, na Praça da Matriz
Caminhada seguiu até o Palácio Piratini, na Praça da Matriz Foto : Vinícius Roratto
Um grupo com centenas de estudantes bloqueou ruas do Centro de Porto Alegre na manhã desta sexta-feira para reivindicar mais investimento em educação, gerando lentidão nas principais vias da região. Dezenas de ônibus de Porto Alegre e da Região Metropolitana trouxeram jovens para o Largo Zumbi dos Palmares e, a partir das 8h30min, começou a concentração e organização de carros de som e bandeiras.

Somente depois das 10h, eles saíram em caminhada, escoltados por agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e pela Brigada Militar (BM) até o Palácio Piratini, na Praça da Matriz. “Queremos que os recursos que são gastos com a dívida pública sejam revertidos para escolas. É preciso reduzir os juros”, declarou o presidente da União Gaúcha dos Estudantes Secundaristas (Uges), Nelson Júnior.

Além disso, pediram renegociação da dívida dos Estados com a União. Outro tema da pauta era a contrariedade aos leilões para exploração do petróleo do pré-sal. “É uma riqueza nacional”, destacou Júnior. Com faixas e palavras de ordem, os estudantes diziam que essa era uma espécie de privatização de um patrimônio brasileiro. “Não abriremos mão”, cantavam.

Na avaliação da presidente da União Metropolitana dos Estudantes Secundários de Porto Alegre (Umespa), Letícia Moreira, a situação de boa parte das escolas gaúchas está precária. “Sem estrutura, não é possível implementar o ensino politécnico”, afirmou ela, que defendeu uma preparação melhor aos jovens, tanto para o vestibular em universidades públicas, como para o mercado de trabalho, a partir de cursos profissionalizantes.

Segundo Letícia, um levantamento do ano passado mostrou que 10% das escolas gaúchas não contam com biblioteca. Também faltam laboratórios e ciências e informática. Os estudantes estavam alinhados às reivindicações de professores do Estado e exigiram melhores salários para os docentes durante o protesto ontem.

Membro do Grêmio Estudantil da Escola Estadual de 1º Grau Anne Frank, Thiago Goulart, 15 anos, que tem quase mil alunos, relatou que o colégio precisa de computadores para aula de informática. Franciele Ribeiro, 15, do Grêmio do Parobé, também reclamou das condições da instituição de ensino. “Tem biblioteca e laboratório, mas nem sempre estão abertos e disponíveis”, contou.

A falta de professores é outro problema enfrentado pelos estudantes. O presidente do Grêmio da Escola Estadual Professora Gema Angelina Belia, Diago Souza, 18, informou que já foi solicitada para o governo do Estado a contratação de professores. Conforme ele, faltam profissionais para lecionar Português, Espanhol e Educação Física.

Bookmark and Share