Cerca de 3 mil alunos e professores de 26 escolas e de dois centros sociais do bairro Rubem Berta realizaram, nesta quarta-feira, uma caminhada pela paz na zona Norte de Porto Alegre. Durante a mobilização, eles bloquearam a avenida Baltazar de Oliveira Garcia e as ruas próximas.
Para a caminhada, os jovens levaram faixas, cartazes e balões brancos, simbolizando a paz. Alguns ainda utilizaram faixas brancas presas na cabeça com dizeres “Eu quero paz”. O alerta tem como finalidade reduzir os altos índices de criminalidade na região e promover o diálogo entre os estudantes. Devido à grande quantidade de jovens, a caminhada foi acompanhada pelos agentes da EPTC e da Brigada Militar. O evento bloqueou o trânsito em algumas vias, mas não provocou congestionamentos.
Segundo o organizador da caminhada e professor do Instituto de Educação São Francisco, Elias de Nardi, a ideia foi promover a união dos alunos das escolas privadas, estaduais, municipais e os centros sociais a favor da paz. “Acreditamos que os jovens são capazes de mudar a realidade da comunidade em que vivemos atualmente. Para isso, é importante instruí-los para combater a violência por meio de ações que promovam a paz, a valorização da vida e a favor da educação”, afirmou o coordenador. Antes da caminhada, o assunto foi abordado durante as aulas e por meio de atividades de recreação, como debates e apresentações culturais.
O movimento abordou as diversas formas de violência, como a do trânsito, a doméstica e a que ocorre nas ruas, como os assaltos. Um grupo de alunos do 1º ano do ensino médio do Instituto de Educação São Francisco criou um panfleto pedindo aos motoristas mais atenção no trânsito. O material foi distribuído na caminhada. A instituição também desenvolve projetos em parceria com a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, contra a violência no trânsito.
Cerca de 600 de alunos que participaram da caminhada são vinculados ao Centro Social Marista (Cesmar), que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Segundo o coordenador de atividades, Marco Cardozo, a mobilização é uma maneira de estimular a reflexão e o pensamento crítico em relação à violência. “A criminalidade está na porta das nossas casas. É preciso haver uma mobilização social para combatê-la”, destacou ele. Cardozo avaliou que a integração das escolas, de diferentes realidades sociais, é um passo para a transformação cultural. “É preciso deixar de lado a questão financeira e favorecer a união”, disse.
Depois da caminhada, os estudantes reuniram-se no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, localizado no bairro Rubem Berta. No local, eles participaram de atividades de confraternização. A região conta com 27 mil estudantes e mais de 2 mil professores, distribuídos em 26 escolas municipais, estaduais e privadas e dois centros sociais.
Estudantes fazem manifestação contra a violência no bairro Rubem Berta
Caminhada reuniu cerca de 3 mil pessoas de 26 escolas da região