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Estudo revela que crianças e adolescentes brasileiros não sabem usar internet

Estudantes mostraram-se suscetíveis a problemas decorrentes do uso indiscriminado da rede mundial de computadores

As crianças e os adolescentes brasileiros não estão preparados para utilizar a internet. É o que revelou uma pesquisa feita nos últimos dois anos pelo Laboratório de Estudos em Ética nos Meios Eletrônicos (Leeme), da Universidade Mackenzie, de São Paulo, em conjunto com a Opice Blum advogados, um escritório paulista especialista em crimes pela internet, entre outros temas relacionados com a rede mundial de computadores.

Foram entrevistados 2.039 jovens, na faixa etária dos 11 aos 18 anos, de escolas da capital paulista. O resultado foi alarmante. Tanto alunos de escolas privadas como da rede pública de ensino mostraram-se totalmente suscetíveis aos diversos problemas decorrentes do uso indiscriminado da rede mundial de computadores. O grupo foi coordenado pela mestranda e computação e titular do Leeme, Solange Palma Barros, e contou com a participação da advogada Juliana Abrusio.

A pesquisa revela que, por se tratar de um universo virtual, a Internet traz uma falsa sensação de anonimato e impunidade. O uso desmedido da web por crianças e adolescentes traz à tona mais problemas do que apenas os de comportamento. Revela, também, situações como a exposição à pornografia, a divulgação indevida de imagem e dados pessoais, a divulgação de boatos, a pedofilia e o uso da Internet para incitar a violência. Todos de grande preocupação.

Alerta

Um dos resultados da pesquisa serve de alerta aos pais. O Leeme chegou a conclusão que muitos pais e professores não têm condições para orientar os menores no uso da internet. Nem todos estão preparados para acompanhar os jovens, que parecem estar anos à frente nas questões tecnológicas, diz Solange. Ela ressalta a responsabilidade da escola em assumir o papel de orientador e formador.

Para os pesquisadores, falta responsabilidade no controle do uso da ferramenta eletrônica. A maior parte dos entrevistados utiliza a internet sem nenhum adulto por perto, sem nenhum controle ou monitoração, comentou Solange. Além disso, comentou Solange, uso do computador é feito, em sua maioria, dentro do quarto do jovem. O ideal seria na sala, onde os pais pudessem observar por onde os filhos estão navegando.

Outro dado colhido pela pesquisa é que 45% dos entrevistados já tiveram medo em algum tipo de acesso que fizeram na web. Para Solange, este é um dos motivos que obriga pais e professores a formar o lado virtual dos jovens cidadãos, prevenindo a ocorrência de problemas e minimizando os danos causados pela internet.

Diante dos resultados, o grupo propôs alternativas concretas para a formação dos jovens quanto ao uso construtivo da rede. Os pesquisadores produziram dois livros voltados para o Ensino Fundamental II e Médio, relacionando os problemas que acontecem na internet relativos a ética e a valores. "Queremos que os jovens assumam uma postura mais crítica e segura no uso da web", afirma Solange. Ela tem a intenção de divulgar as obras nas escolas e, futuramente, pedir a inserção da disciplina de ética e segurança na internet no currículo escolar.