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EUA dizem que eleições de novembro na Nicarágua "perderam toda a credibilidade"

Presidente Daniel Ortega deixou de fora das eleições gerais de novembro o principal bloco da aposição

Presidente Daniel Ortega deixou de fora das eleições gerais de novembro o principal bloco da aposição
Presidente Daniel Ortega deixou de fora das eleições gerais de novembro o principal bloco da aposição Foto : INTI OCON / AFP / CP

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse neste sábado que as eleições de novembro na Nicarágua "perderam toda a credibilidade", devido às manobras do presidente Daniel Ortega para afastar da disputa seus principais opositores.

O Conselho Supremo Eleitoral (CSE) da Nicarágua inabilitou ontem o partido de direita Cidadãos pela Liberdade (CxL), que lidera uma aliança opositora contra a reeleição de Ortega em 7 de novembro, após anular sua pessoa jurídica.

"Os Estados Unidos consideram que as últimas ações antidemocráticas e autoritárias do regime - impulsionadas pelo medo de Ortega de uma derrota eleitoral - são o golpe definitivo contra as perspectivas da Nicarágua de realizar eleições livres e justas no fim do ano. Esse processo eleitoral, incluindo seus eventuais resultados, perdeu toda a credibilidade", afirmou Blinken.

A medida do tribunal eleitoral nicaraguense deixa o principal bloco da oposição fora das eleições gerais de novembro, nas quais Ortega, um ex-guerrilheiro de 75 anos que está no poder desde 2007, busca obter o quarto mandato consecutivo à frente da Frente Sandinista de Liberação Nacional (FSLN, esquerda). A lei proíbe partidos políticos não legalizados de participarem do processo eleitoral.

Os críticos acusam o governo de tentar impedir que qualquer oposição significativa se candidate para as eleições. Trinta e um líderes opositores, entre eles sete candidatos à presidência, foram presos desde junho, a maioria acusada de "traição à pátria".

Entre os presos está Cristiana Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro (1990-1997), que aparecia nas pesquisas como potencial rival para enfrentar Ortega nas urnas.

Presidente vitalício?

"A decisão de ontem do presidente Daniel Ortega e da vice-presidente Rosario Murillo de proibir o último partido da oposição genuína de participar das eleições de novembro mostra a sua vontade de se manter no poder a qualquer custo", manifestou Antony Blinken.

Ortega, ex-guerrilheiro de esquerda, governou a Nicarágua de 1979 a 1990, quando os Estados Unidos apoiaram a contrarrevolução ao movimento sandinista.

Em 2007, voltou ao poder e em 2014 impulsionou uma emenda constitucional que eliminou os limites dos mandatos presidenciais, abrindo a porta para se manter na Presidência indefinidamente.

O tribunal eleitoral tem até 9 de agosto para revalidar ou rejeitar os candidatos apresentados por partidos e alianças para disputar as eleições. O CXL denunciou nesta semana que sua candidata à vice-presidência, Berenice Quezada, estava em prisão domiciliar sem qualquer justificativa.

Os Estados Unidos anunciaram na sexta-feira que negariam vistos a outros 50 nicaraguenses vinculados a Ortega, ampliando as restrições a mais de 100 pessoas, entre elas legisladores e juízes.

Ortega tem tentado se apresentar como um pragmático favorável aos negócios, mas os países ocidentais e a oposição dizem que está se tornando cada vez mais um ditador.