O apagão da última terça-feira que afetou 18 estados brasileiros, provocado pela queda de linhas de transmissão no Paraná, mostrou a dependência que o Brasil tem da Usina de Itaipu. Coincidência ou não, a luta por energia é o pano de fundo do teatro de operações criado para a "Operação Laçador", que vai envolver dois países fictícios no maior exercício de Forças Armadas na América do Sul.
A manobra vai envolver oito mil militares do Exército, Marinha e Aeronáutica, que vão testar a interoperatibilidade conjunta, entre os dias 16 e 27 de novembro. "O exercício é coordenado pelo Ministério da Defesa, que criou a ambientação, baseada em uma situação meramente fictícia, em que o País Amarelo ocupa uma área petrolífera e prepara um ataque a uma hidrelétrica do País Verde", sustentou o comandante da operação, general De Nardi. Segundo ele, a operação é bastante complexa, envolvendo o emprego de todos os sistemas operacionais das três forças, em uma completa integração. Todo o cenário é centrado na ação de defesa dos "verdes", com uma incursão na região da hidrelétrica de Itá, na região Norte do Estado.
O general De Nardi fez questão de ressaltar que o exercício foi elaborado para ocorrer na área de treinamento de Saicã, em São Borja, evitando qualquer tipo de crítica, como ocorreu em recente operação, realizada em Foz do Iguaçu. "Todos os procedimentos são idealizados para testar a força de reação e defesa das nossas Forças Armadas, no âmbito do Comando Militar do Sul, onde está estabelecido o maior efetivo do Exército Brasileiro, com 50 mil homens", disse, sustentando que não há nenhuma relação com a realidade brasileira e dos países vizinhos.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, vai acompanhar a parte principal da manobra, que é o avanço sobre as tropas inimigas do país Amarelo, na área da hidrelétrica de Itá, no dia 24 de novembro. As operações militares reais iniciam, em 18 de novembro, denominado Dia D. A Marinha utilizará no exercício 13 navios, dois submarinos, quatro lanchas e oito helicópteros. Já a Aeronáutica vai atuar com 53 aeronaves e 19 unidades aéreas, enquanto o Exército colocará em ação militares de três Divisões, duas Regiões Militares, 13 Brigadas, sete helicópteros e mais de 109 unidades. Para que seja possível acompanhar a Operação Laçador, foi desenvolvido um site, que terá informações, fotos e vídeo em tempo real. O endereço é www.lacador.eb.mil.br.
Exército simula guerra por energia após apagão
Operação Laçador vai envolver 8 mil militares do Exército, Marinha e Aeronáutica