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Ex-reitor é denunciado por 'esquentar' carros do extinto Museu da Ulbra

Becker, um policial civil e outras 73 pessoas foram acusadas de crimes como falsidade ideológica

O ex-reitor da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) Ruben Eugen Becker foi denunciado e mais 74 pessoas foram denunciados pelo Ministério Público de Santa Cruz por terem utilizado esquema para "esquentar" veículos com problemas na documentação. Mesmo não sendo morador de Passo do Sobrado (exigência legal para o registro de carros no município), Becker teria conseguido regularizado, na delegacia da cidade do Vale do Rio Pardo, 18 automóveis antigos de marcas como Jaguar, Rolls Royce e Austin, que foram encaminhados ao extinto Museu de Tecnologia da Ulbra. Conforme o trabalho do Ministério Público gaúcho, a curiosidade ficou por conta de os modelos terem sido legalizados no feriado de 1º de maio, em 2001.

O promotor de Santa Cruz do Sul, Júlio César Medina, lembrou que a denúncia se refere a crimes praticados no período de 1999 a 2001, quando os Centros de Registro de Veículos Automotores (CRVAs) estavam sendo implantados. “Em algumas cidades, caso de Passo do Sobrado, esse processo demorou mais e o registro ficava com a Polícia Civil”, explicou. Conforme a investigação, um policial da delegacia do município não exigia documentos necessários. Por esse motivo, era comum ser procurado por proprietários que trocavam a cor do carro ou o combustível do motor, por exemplo.

No caso de Becker, a irregularidade está na falta de documentos exigidos para veículos de coleção. Medina explicou que uma resolução de 1998 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) exige papéis como o Certificado de Originalidade, concedido por entidade credenciada pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Em valores da época, foram sonegados com o esquema, R$ 7 mil pelo ex-reitor.

Os réus vão responder por crime de falsidade ideológica, inserção de dados falsos no sistema público de registro de carros, adulteração de sinal identificador de automóveis e crimes tributários. O policial civil foi afastado das funções.