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Existe disputa pelo comando das operações no Haiti, afirma jornalista

Kaiser Konrad, que é especializado em assuntos militares, participou do chat no Correio do Povo

Kaiser Konrad participou de chat no Correio do Povo
Kaiser Konrad participou de chat no Correio do Povo Foto : Paulo Nunes
O jornalista Kaiser Konrad, que é especializado em assuntos militares e já esteve três vezes no Haiti, afirmou, durante chat do Correio o Povo, realizado nesta quinta-feira, que existe disputa pelo comando das operações no país caribenho após o terremoto ocorrido na semana passada, embora isso seja negado pelo governo brasileiro. "O Haiti sempre foi um problema dos Estados Unidos. Por isso o interesse deles de fazer esta 'intervenção humanitária'. O Brasil não gostou muito disso, mas continua no comando das Forças Militares da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti. Enquanto uma nova resolução do Conselho de Segurança não fizer uma mudança no status da missão de paz, tudo continua igual. Estamos sob a égide da ONU. Os americanos estão por conta própria, mas vale ressaltar que fazem agora um importante trabalho, que nenhuma outra nação teria condições de oferecer ao Haiti", explicou.

Ele esclareceu o "problema" que é a nação caribenha para os norte-americanos: "Os EUA já ocuparam o Haiti por mais de 10 anos. Já fizeram várias intervenções. Muitos haitianos se jogavam de balsa no mar para enfrentar um longo trajeto rumo a Miami. Nos anos 90, milhares de haitianos chegaram clandestinos à Flórida."

Sobre o trabalho das tropas brasileiras, as quais acompanhou em suas coberturas no país, ele disse que elas não têm amparo legal para realizar o mesmo trabalho em território brasileiro. "O Haiti tem sido o grande laboratório das Forças Armadas para ganhar experiência em combate urbano, essencial para futuras operações de Garantia da Lei e da Ordem, como um dia, provavelmente serão realizadas no Rio." Para o jornalista, a importância de o Brasil participar do auxílio ao Haiti tem relação com a projeção do Poder Nacional. "A imagem de um Brasil forte e interessado pela construção da paz internacional e fraternidade dos povos", disse.

Konrad também relatou como é a rotina dos militares brasileiros: "É um trabalho árduo. São dezenas de patrulhas diárias sob sol de 40º. Eles dão segurança à população haitiana para que ela possa se desenvolver. Agora ajudam nos resgates e fazem escolta aos comboios humanitários."

Ele disse que as bases brasileiras possuem ótimas acomodações. E que ninguém morreu dentro delas. "As mortes aconteceram dentro da Casa Azul, um forte tomado dos rebeldes em 2007. O prédio já era frágil e como tudo que havia de pé, caiu também."

Entre todas as situações que viveu nessas três viagens, a mais marcante foi ver a quantidade "enorme de crianças haitianas falando português fluente e dizendo querer um dia fazer parte do Exército Brasileiro. Fiquei muito orgulhoso do meu país quando vi isso lá", contou.

Na opinião de Konrad, as principais gangues haitianas "estão se reorganizando e aproveitando o caos para retomar o controle de determinadas áreas e iniciar novamente suas atividades criminosas". Ele disse também que o trabalho de paz inciado pela ONU terá que começar do zero, após a tragédia do terremoto.

Internautas questionaram os recursos que o Brasil e outros países vêm disponibilizando para a nação caribenha. Sobre isso, o jornalista disse que o povo está acostumado a receber auxílio de fora: "É duro dizer, mas não senti no haitiano uma vontade de arrumar seu país. Eles sempre acharam que é dever da comunidade internacional ajudar eles."

Konrad contou também que conheceu um dos brasileiros mortos em decorrência do terremoto. "O coronel Emilio, ajudante de Ordens do Force Commander. Conheci ele mês passado em um evento no Rio. Pessoa fantástica. Morreu no desabamento do prédio da ONU", relatou.

Confira o bate-papo com o jornalista na íntegra: