Exposição "reconfigurada" será reaberta quarta no Acampamento Farroupilha

Exposição "reconfigurada" será reaberta quarta no Acampamento Farroupilha

Após instalação de uma senzala, novo espaço terá participação ativa de entidades ligadas ao movimento negro

Correio do Povo

Exposição sobre Lanceiros Negros será retomada no Acampamento Farroupilha

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O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) e o Conselho Municipal dos Direitos do Povo Negro reuniram-se, na tarde desta terça-feira, para tratar sobre a polêmica da representação de uma senzala no Piquete Aporreados 38, no Acampamento Farroupilha. O encontro contou com a presença de representantes de diversas entidades e também da própria organização do piquete. O objetivo da reunião foi aproximar os dois movimentos, o negro e o tradicionalista, para a construção de uma pauta conjunta e positiva de trabalho.

Uma das decisões tomadas foi a reconfiguração da exposição realizada no piquete, desta vez com a participação ativa dos negros. A nova exposição será aberta ao público às 19h do dia 19 de setembro, momento em que também será realizada coletiva de imprensa. O encontro, que foi mediado e proposto pela Coordenadoria Municipal de Igualdade Racial da Prefeitura de Porto Alegre, foi considerado histórico pelos participantes.  

Polêmica

A tentativa do Piquete Aporreados do 38 de contar a história dos Lanceiros Negros no Acampamento Farroupilha gerou revolta, polêmica e pedido de desculpas por parte dos organizadores. No espaço destinado ao grupo de tradicionalistas, eles tentaram reproduzir uma senzala para “lembrar do local” de onde saíram os soldados que engrossaram as fileiras dos revolucionários (e acabaram traídos pelos seus comandantes).

Na instalação, que tinha uma fachada toda pintada de preto com a palavra Senzala em branco, manequins apareciam acorrentadas a pedaços de madeiras para representar a tortura que o povo negro sofria no período. O projeto causou muita revolta e indignação nas redes sociais e acabou sendo fechado pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), que repudiou “toda e qualquer forma de discriminação com o povo negro”.

“Como foi um fato que ocorreu, não via problema, mas dizem que não se pode tratar a história desta forma. Aceito o argumento e não vamos mais montar nenhum projeto com essas conotações. Fomos ingênuos e lamentamos pelo ocorrido”, revelou o Cleonilton Almeida, coordenador do Piquete.

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