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Falta de placas gera confusões em Porto Alegre

Prefeitura admite que 46 mil pontos necessitam de identificação

Falta de placas gera confusões em Porto Alegre
Falta de placas gera confusões em Porto Alegre Foto : Tarsila Pereira
Placas com a identificação dos nomes das ruas de Porto Alegre são artigos cada vez mais raros na cidade. Se mesmo os moradores da Capital se perdem ao procurarem determinados endereços, os turistas simplesmente não se acham. A licitação para viabilizar o projeto do novo mobiliário urbano da prefeitura estava prevista para sair no ano passado, mas nem o edital foi lançado ainda.

A secretária municipal de Planejamento Estratégico e Orçamento, Izabel Matte, explica que o documento está em fase de finalização. Segundo ela, existem 46 mil pontos com necessidade de placas, porém muitas já estão instaladas. "Falta terminar a modelagem econômica. O cronograma ainda não está definido, mas suponho que o nosso prazo para a instalação siga sendo até 2014, por causa da Copa do Mundo", afirma, esclarecendo que a responsabilidade pelo processo passará para a Secretaria Municipal de Urbanismo.

Um dos bairros com maior problema de falta de placas é o Restinga. Morador há 30 anos da rua Sílvio Sirângelo, o comerciante João de Deus Freitas, 72 anos, virou uma espécie de guia das pessoas que não conseguem se achar na região. 'Sou frequentemente solicitado para dar informações. Aqui na Restinga, essa rua nunca teve placas', garante.

Situação semelhante ocorre no bairro Bom Jesus, onde placas praticamente não existem nas vilas. Além disso, as vias são chamadas por letras ou números. A doméstica Carmelina Maria Bof Gaspar, 42 anos, mora na rua A, da vila Nossa Senhora de Fátima, e já se conformou com as indicações e as referências que precisa passar para entregadores e visitantes. "Placa indicando o nome da rua não tem. Quem vem aqui precisa pedir informação para achar. A prefeitura tem que fazer alguma coisa, mas a comunidade não se une."

E os casos não estão restritos à Restinga e ao Bom Jesus. É uma situação generalizada. O IAPI é outro exemplo. Como existem vários logradouros chamados A, B ou C, os carteiros têm trabalho redobrado para achar esses acessos em Porto Alegre. Segundo o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintect/RS), Vicente Guindani, os profissionais fazem uma triagem antes das entregas e essas denominações complicam a distribuição das correspondências. 'Muitas vezes vão parar no bairro errado, porque vários bairros têm acessos chamados 1, 2 e 3 ou A e B. Fica difícil encontrar. Fora alguns becos que não têm CEP', afirma.

Guindani avalia que centenas de cartas são mal-encaminhadas ou precisam voltar ao remetente por causa da falta de identificação adequada. Os 18 mil motociclistas profissionais de Porto Alegre e os outros 50 mil que vêm de fora todos os dias enfrentam a mesma dificuldade. "É uma das capitais mais difíceis de se localizar. Se entramos em uma rua sem nome e ela está errada, precisamos fazer um enorme retorno. Perde-se tempo e dinheiro", afirma o presidente do Sindicato dos Motociclistas do Rio Grande do Sul (Sindimoto), Valter Ferreira da Silva. Para ele, a falta de placas também gera estresse. "Chega em uma rua, não tem placa. Vai na outra, também não tem. Atrasa o serviço e o cliente reclama, não entende essas deficiências da cidade", diz Silva.

Até taxistas ficam perdidos

Outra categoria que sofre com a falta de placas nas ruas é a dos taxistas. Ernani Ceroni, 64 anos, já teve que parar o carro várias vezes para consultar o mapa e conseguir chegar ao endereço solicitado pelos passageiros. "É difícil, principalmente nos bairros. Muitas vezes, a gente conhece, mas em outras é preciso pedir informação, ou recorrer ao mapa", conta ele, mostrando o livrinho que carrega no porta-luvas com as vias da Capital. Ele está há seis anos na profissão e antes atuava como motorista de ônibus. Por isso, já sabe onde fica a maior parte dos lugares.

Quem está iniciando na carreira sofre para se localizar. Segundo o diretor-presidente do Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi), Luiz Nozari, muitas vezes, os taxistas acabam virando guias de pessoas de fora que não encontram endereços em Porto Alegre. "O profissional tem informação privilegiada, mas, quando não sabe, tem que adivinhar. Todos os dias há uma dificuldade. Não existem placas."

Outro motorista que passa por apuros, vez ou outra, é Antônio Daniel, 60 anos. Ele diz que muitas vezes demora para achar um local e acaba correndo riscos ao parar o carro à noite para pedir informação ou consultar o mapa. "A procura atrasa", menciona.

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