Após acompanhar a água do arroio Feijó baixar lentamente por mais de uma semana, em Alvorada, a família de Miriam Osório não podia estar mais ansiosa para retornar para casa, na rua Princesa Isabel. Porém, a felicidade veio acompanhada da tristeza. Isso porque a água, que chegou a atingir mais de um metro dentro da casa, destruiu tudo o que a família tinha. As camas, os colchões, roupas e roupeiros e eletrodomésticos foram destruídos.
Em frente à casa, dois dias após a água baixar, a pilha do que sobrou de móveis chamava a atenção de quem passava na rua. A movimentação era similar à de uma mudança. Mas na verdade, eram os objetos que antes estavam na sala e nos quartos que agora estavam sejam jogados fora. “Perdemos tudo. Tudo mesmo”, lamentava ela.
A limpeza era feita com o apoio do marido Sandro e dos seus pais, que moram na casa dos fundos do terreno. “A limpeza vai demorar ainda mais tempo”, prevê ela. Isso porque no momento, os objetos que não foram danificados estão sendo retirados. Depois será necessário lavar tudo. Apenas depois disso, haverá a necessidade de pintar as paredes e os reparos no piso. “Moro aqui há 35 anos. Já enfrentei outras situações. Mas nada como isso. A água subiu tanto que até entrava pela janela”, comentou ela, ao mostrar as marcas na parede.
O drama que atinge os moradores de Alvorada se repete em quase todas as outras casas. Em frente às residências estão dispostos móveis e roupas que ficaram inutilizados pela água. Porém, em outras ruas, a esperança ainda é de que a água baixe, como nas ruas Itararé, Anita Garibaldi, Americana, Marquês Pombal e Beira Rio, todas no bairro Americana, às margens do arroio Feijó, que transbordou.
Segundo a Defesa Civil, a enchente afetou 11 mil pessoas na cidade, sendo que 75% são dessa região. No local, foi instalado um posto móvel de saúde. Entre os principais atendimentos, estão aplicação de vacinas contra gripe e hepatite. Além disso, há um médico prestando atendimento e passando orientação aos afetados.
De acordo com o secretário adjunto da Assistência Social, Alexandre Lobão, a água está recuando muito lentamente. Ele acredita que ainda deverá demorar alguns dias para que todos os moradores possam retornar às residências. Lobão acredita ainda que os serviços de assistência e auxílio às famílias deverá durar mais de três meses. “Há a resposta imediata. Porém, há muito ainda a ser feito”, ressaltou.
A movimentação na área afetada é grande. Há a presença da Brigada Militar, para coibir possíveis furtos às casas ainda tomadas pelas águas. Muitos moradores, apesar de estarem desabrigados, entram nas casas para acompanhar o nível da água dentro das casas.
Famílias começam a voltar para casa e calcular estragos em Alvorada
Secretário adjunto da Assistência Social acredita que auxílio a atingidos deve durar mais de três meses