O dono de uma serralheria Paulo Pereira, 47 anos, perdeu a casa e o meio de ganhar a vida. “Calculo que tenha perdido uns R$ 300 mil, porque tinha máquinas e equipamentos de trabalho”, afirmou. Por não ter para onde ir, dormiu na rua, com a família. “Agora só Deus sabe”, declarou.
O analista de telefonia Carlos Alexandre Cunha dos Santos, 31 anos, não conseguiu salvar quase nada, nem os documentos. Todos móveis e roupas foram consumidos pelas chamas. Na hora em que o fogo começou, ele estava com o filho Luis de 8 anos e saiu correndo. Ele reclamou de demora por parte dos bombeiros e de falta de hidrantes. “Os dois caminhões estavam vazios”, comentou. Por sorte, conseguiu levar um retrato da família e voltou aos escombros para buscar também suas ferramentas de trabalho. Santos, a mulher Angélica Rodrigues, 30 anos, e os dois filhos estão alojados na casa da sogra.
Também na casa de parentes, a vendedora Katiuscia Rosa Borges, 23 anos, tentou levar uma geladeira, mas ela caiu no chão e quebrou. “Quando o incêndio começou, tentei ajudar minha mãe que mora em outra casa e alguns vizinhos”, contou. O pedreiro Jeferson Silva, 20 anos, afirmou que os bombeiros tiveram dificuldades para apagar as chamas e que não havia hidrantes nas proximidades.
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Vereador Antônio Giúdice abriu as portas para receber mais de cem famílias no domingo. Porém, apenas seis passaram a noite no local. “Elas tem medo que levem os pertences da vila”, disse a vice-diretora Adriana Abech Bachelli. Entre as pessoas que ficaram desabrigadas estão alunos e funcionários da instituição. Entre eles, a pedagoga Marília da Silva, 30 anos, que ajudou a preparar comida para as vítimas.
A Defesa Civil de Porto Alegre fez o cadastro das famílias desabrigadas e o atendimento social às vítimas do incêndio. O chefe de investigação da 4ª Delegacia de Polícia, Laureci Nunes, disse que, segundo testemunhas, uma moradora colocou fogo no sofá, após brigar com o marido. O ato teria iniciado o incêndio, mas a mulher ainda não foi encontrada.
O oficial de serviço do 1º Comando Regional de Bombeiros, tenente Miguel Augusto Ribeiro, negou que houvesse falta de água nos caminhões. Ele também disse que há hidrante próximo à Arena do Grêmio, apesar de alguns agentes terem dito, no dia do acidente, que tiveram dificuldade de abastecer. “Caminhão sempre tem água. Isso nunca acontece. Existe hidrante, mas o número de viaturas era muito grande”, garantiu. “Mobilizados todos os recursos necessários de Porto Alegre e região Metropolitana. Usamos dez viaturas e não houve demora”, declarou.