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Famílias deixam a Vila Dique

Extinção da favela possibilitará a ampliação da pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho

Retirada das casas possibilitará ampliação de aeroporto
Retirada das casas possibilitará ampliação de aeroporto Foto : Cristiano Estrela
Mais 18 famílias deixaram nesta segunda-feira a Vila Dique e passaram a residir em loteamento habitacional na avenida Bernardino Silveira Amorim, na zona Norte de Porto Alegre. A transferência iniciou às 8h, fazendo com que a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) a bloquear o tráfego na região. A previsão do Departamento Municipal de Habitação (Demhab) é de que outras 18 famílias sejam removidas na terça-feira. A transferência e consequente extinção da favela possibilitará a ampliação da pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho - obra essencial para a realização da Copa do Mundo de 2014.

A primeira etapa do reassentamento ocorreu em outubro, com 48 transferências para o loteamento que abrigará 1.476 unidades habitacionais. A balconista Enilda Mesquita, 42, deixou para trás muitas lembranças. Ela tinha 14 anos quando os pais construíram o primeiro casebre na área verde que, posteriormente, se transformou na Dique. "Morávamos no meio do mata, sem água e sem energia elétrica", recordou. Ontem, ao deixar a casa levou apenas roupas e utensílios domésticos. "Vou para um lugar melhor. Casa nova, vida nova e móveis novos".

O diretor-geral do Demhab, Humberto Goulart, afirmou que, a partir de janeiro, serão 80 transferências mensais para casas, sobrados e apartamentos. Os imóveis, com 40 metros quadrados, possuem sala, cozinha, banheiro e dois dormitórios. "Pretendíamos transferir 88 famílias antes do Natal, mas em razão de problemas técnicos serão apenas 36", disse. Goulart lembrou que serão investidos R$ 56,5 milhões na construção do loteamento.

Além de abrigar 1,2 mil famílias da Dique, 274 unidades habitacionais serão destinadas a moradores das vilas Kedie e Morada do Sol. Localizado em área de 21 hectares, o loteamento também terá 103 unidades comerciais, escola e creche municipais, posto de saúde, unidade de triagem de resíduos recicláveis, centro comunitário, praça e área de preservação ambiental. 84 famílias estarão alojadas no novo terreno. Goulart salientou que as 1,3 mil famílias que vivem na vila Nazaré, também no traçado por onde passará a pista do aeroporto, serão removidas para vários terrenos do Rubem Berta.

Tão logo a área esteja desocupada, a Infraero inicia as obras de ampliação da pista dos atuais 2.280 para 3.200 metros e a construção do novo Terminal de Cargas Aéreas (Teca). Os projetos de modernização do Salgado Filho também envolvem o alargamento e recapeamento da pista, alteração do sistema de balizamento, a construção de um novo edifício-garagem com capacidade para 4 mil veículos e a ampliação da área física do terminal de passageiros. Com capacidade para 5 milhões de pessoas/ano, a ideia é que seja suficiente para abrigar 9 milhões – crescimento projetado para os próximos 11 anos.