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Famílias que estavam em terreno na Cavalhada ocupam outras áreas na zona Sul

Cerca de 70 pessoas se instalaram em terreno próximo ao presídio Madre Pelletier em Porto Alegre

Após reintegração de posse, algumas famílias invadiram outras áreas da zona Sul de Porto Alegre
Após reintegração de posse, algumas famílias invadiram outras áreas da zona Sul de Porto Alegre Foto : André Avila
Das mais de duas mil pessoas que haviam ocupado o terreno da antiga Avipal, na avenida Cavalhada, em Porto Alegre, apenas cerca de cem permaneciam no local na manhã desta terça-feira, quando começou a reintegração de posse. De acordo com representantes da ocupação, a maioria deixou o local nos últimos dias, por receio da ação da Brigada Militar. Sem nenhuma alternativa imediata oferecida pelo poder público, as famílias se dirigiram para casas de amigos e parentes ou, em maior número, passaram a ocupar outras áreas da zona Sul.

Um dos locais de destino é um terreno baldio em frente ao presídio feminino Madre Pelletier, na avenida Teresópolis, onde já se instalaram cerca de 70 pessoas desde o último domingo. Outros tentaram invadir uma área da avenida Icaraí, nos fundos do BarraShoppingSul, mas foram impedidos por policiais nesta terça-feira, de acordo com o operário da construção civil Luís Carlos Maraes da Silva. Com quatro filhos, esposa e cunhada, ele fala que deixou as mulheres e crianças em casas de conhecidos para buscar outras áreas desocupadas na região. “Nós já fizemos mais de dez cadastros em programas habitacionais, mas ficaram só no papel”, alegou. Poucos aceitaram o benefício do aluguel social oferecido pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab), de R$ 300 mensais durante um semestre.

A líder comunitária Sthefany Paula afirmou, ainda, que muitas famílias podem ficar nas ruas, próximo ao arroio Cavalhada, de onde foram desalojadas para obras do Projeto Integrado Sócio-Ambiental (Pisa). Nesses casos, um reassentamento é planejado pela Prefeitura, mas o projeto está atrasado por problemas de financiamento. O secretário estadual de Habitação e Saneamento, Marcel Frison, esteve no local na manhã desta terça-feira e destacou que cerca de 100 famílias foram cadastradas em listas de espera de moradia.

A ação da Brigada Militar transcorreu de forma pacífica ao longo do dia. Até o final da tarde, uma equipe do 1º Batalhão da Brigada Militar fazia apenas a retirada dos pertences dos moradores que haviam se instalado próximo à avenida João Salomoni. A construtora Melnick Even, que adquiriu o terreno da Avipal para a construção de um condomínio, ofereceu trinta caminhões e mais de 50 trabalhadores para auxiliar a polícia.

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