Um dos locais de destino é um terreno baldio em frente ao presídio feminino Madre Pelletier, na avenida Teresópolis, onde já se instalaram cerca de 70 pessoas desde o último domingo. Outros tentaram invadir uma área da avenida Icaraí, nos fundos do BarraShoppingSul, mas foram impedidos por policiais nesta terça-feira, de acordo com o operário da construção civil Luís Carlos Maraes da Silva. Com quatro filhos, esposa e cunhada, ele fala que deixou as mulheres e crianças em casas de conhecidos para buscar outras áreas desocupadas na região. “Nós já fizemos mais de dez cadastros em programas habitacionais, mas ficaram só no papel”, alegou. Poucos aceitaram o benefício do aluguel social oferecido pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab), de R$ 300 mensais durante um semestre.
A líder comunitária Sthefany Paula afirmou, ainda, que muitas famílias podem ficar nas ruas, próximo ao arroio Cavalhada, de onde foram desalojadas para obras do Projeto Integrado Sócio-Ambiental (Pisa). Nesses casos, um reassentamento é planejado pela Prefeitura, mas o projeto está atrasado por problemas de financiamento. O secretário estadual de Habitação e Saneamento, Marcel Frison, esteve no local na manhã desta terça-feira e destacou que cerca de 100 famílias foram cadastradas em listas de espera de moradia.
A ação da Brigada Militar transcorreu de forma pacífica ao longo do dia. Até o final da tarde, uma equipe do 1º Batalhão da Brigada Militar fazia apenas a retirada dos pertences dos moradores que haviam se instalado próximo à avenida João Salomoni. A construtora Melnick Even, que adquiriu o terreno da Avipal para a construção de um condomínio, ofereceu trinta caminhões e mais de 50 trabalhadores para auxiliar a polícia.