Os familiares das vítimas do voo JJ3054, da TAM, cuja aeronave explodiu após se chocar contra o prédio da TAM Express, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, matando 199 pessoas, estão reunidos neste final de semana em Porto Alegre. O 30º encontro desde a tragédia, em 17 de julho de 2007, ocorre no Hotel Embaixador. No ato de abertura, no final da manhã deste sábado, o presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo TAMJJ3054 (Afavitam), professor Dario Scott, disse que estão adiantadas as negociações com a Prefeitura de São Paulo para a construção do Memorial 17 de Julho, no local do acidente, e também da Escola Técnica Afavitam, em local a ser definido na Capital paulista, voltada para cursos técnicos na área da aviação.
“As negociações estão evoluindo bem. Desejávamos construir, além do Memorial, uma obra social no local da tragédia, mas acabamos aceitando a proposta da prefeitura”, salientou. Scott perdeu a filha Thaís, 14 anos, no acidente. A jovem era a única filha do professor e de Ana Silvia Volpi Scott. Em meio aos momentos de dor e amargura, o casal reencontrou a alegria recentemente: o nascimento do casal de gêmeos Anna Beatriz e Tomás Aramis. A chegada dos bebês, há 11 dias, foi festejada na abertura do evento. “Neste momento em que estamos empenhados com a valorização da vida, fomos presentes com duas novas vidas”, comentou o pai.
Scott lembrou que a filha sempre sonhou ter um irmão. “Agora, tem dois”, observou. Anna Beatriz já está em casa. Tomás Aramis necessitou permanecer na UTI Neonatal do Hospital Moinhos de Vento, mas a previsão é de que ainda nesta segunda-feira receba alta. Para os familiares das vítimas do JJ3054, os bebês serão símbolo da luta para que os responsáveis pela tragédia sejam identificados e indiciados no inquérito instaurado pelo Ministério Público Federal, em São Paulo.
Das 199 vítimas, os corpos dos gaúchos Ivalino Bonatto (gerente financeiro da vinícola Aurora, de Bento Gonçalves), e Andrei François Mello (consultor de marketing), do menino Levi Leão, de Manaus, da comissária de bordo paulista Michelle Leite nunca foram encontrados entre os escombros. A mãe de Michelle, professora Marcia Soares, 47, disse que está empenhada na busca de explicações que justifiquem a não localização dos quatro corpos. Lembrou que a filha, graduada em fisioterapia e técnica em segurança do trabalho, exercia a profissão de comissária de bordo havia 18 meses. “Quero justiça e espero que não culpem as pessoas erradas”, enfatizou.
Por meio de nota oficial, a TAM prestou contas das providências tomadas. Já foram formalizados acordos de indenização de 192 vítimas em negociações diretas ou por meio da Câmara de Indenização instalada em 24 de abril de 2008, com escritório em São Paulo e Porto Alegre. Neste domingo, das 11h30min às 13h, os familiares visitarão o Largo da Vida - uma praça rotatória localizada na avenida Severo Dullius, próximo ao Aeroporto Internacional Salgado Filho -, que recebeu este nome em homenagem às vítimas.
Familiares das vítimas do voo JJ3054 da TAM reúnem-se em Porto Alegre
Tragédia ocorreu em 2007 e 199 pessoas morreram no acidente