Fechamento do Everest não reflete efeito da pandemia, afirma setor hoteleiro

Fechamento do Everest não reflete efeito da pandemia, afirma setor hoteleiro

“O Everest não é uma vítima da Covid. Mas morreu de Covid”, diferencia o diretor executivo da ABIH, José Justo

Correio do Povo

Porto Alegre tem cerca de 16 mil leitos e 8 mil apartamentos, distribuídos em 100 hotéis.

publicidade

Estabelecimento que marcou época em Porto Alegre, o Hotel Everest fechou as portas de forma definitiva recentemente. Situado na Rua Duque de Caxias, 1357, o empreendimento de 56 anos e 150 quartos operava com menos da metade da capacidade e já tinha interrompido o funcionamento por causa da pandemia de Covid-19. Em julho, a unidade carioca do hotel, no bairro de Ipanema, também já tinha encerrado as atividades.

Para representantes do Sindicato de Hotéis de Porto Alegre (SHPOA) e da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio Grande do Sul (ABIH-RS), o novo coronavírus pode ter agravado a situação financeira do empreendimento, e que apesar das perdas do setor, seja pela queda no movimento ou por não conseguir receber hóspedes, os empresários do ramo não têm observado a situação de falência.

Pelo contrário, planos de inauguração de novos hotéis no RS se mantém em pé. “O Everest não é uma vítima da Covid. Mas morreu de Covid”, diferencia o diretor executivo da ABIH, José Justo. No lugar disso, afirmam que muitos dos negócios têm trocado de propriedade ou gestão. Mas um retrato mais focado do setor, só depois de passada a doença. “Acredito que em novembro ou dezembro já poderemos ter uma fotografia do setor”, aposta o presidente do SHPOA, Carlos Henrique Schmidt.

Porto Alegre tem cerca de 16 mil leitos e 8 mil apartamentos, distribuídos em 100 hotéis. No começo da pandemia, em março, praticamente todos chegaram a ficar fechados. Mas com a flexibilização, alguns conseguiram operar com capacidade reduzida e outros optaram por se manter fechados até que a capacidade operacional se normalize. “Só vamos saber quando a pandemia terminar mesmo. Mas 30% dos estabelecimentos ainda não reabriram. E alguns abriram e fecharam novamente”, detalha Schmidt. “Ainda é muito cedo para especular. A não ser aqueles que declararem que fecharam. Aí vamos saber”, completa.

Especificamente sobre o Everest, o presidente do SHPOA afirma que o hotel já estava em processo de venda. “Aproveitaram a Covid para fechar. Na real é um ciclo. O setor hoteleiro é um ciclo”, frisa. “Hotel é muito difícil de fechar. Ele é um prédio que está pronto e troca de dono. A hotelaria mudou de perfil, de modelo”, resume Justo.

O presidente da ABIH-RS frisa que este novo modelo é a transformação da hotelaria em um modelo de investimento. “Hoje não há mais uma empresa que constrói. É um investimento, pulverizado entre vários investidores”, explica Justo. “Quem quer arrendar um hotel: o pessoal do agronegócio, da construção civil. Por que em alguns períodos existem ganhos extraordinários. A hotelaria é um apêndice destes segmentos”, avalia.

Conforme o empresário, há hoje pelo menos dez grandes hotéis sendo construído no RS, em cidades como Gramado, Passo Fundo, Santana do Livramento e Santa Maria. “Não caíram os preços. Os apartamentos não baixaram, nem os terrenos. É impressionante. Mercado imobiliário acaba rebocando o setor hoteleiro”, afirma.

Ainda assim, para o Justo, a Covid-19 gerou alguns efeitos colaterais para quem opera a hospedagem. “O empresário perdeu dinheiro, aumentou o endividamento. Um empresário me disse que vai levar de sete a oito anos para retomar a vida normal dos empreendimentos e que não vai precisar fechar praticamente nenhum de seus hotéis. A hotelaria "desenriqueceu", mas não ficou pobre”, conclui Justo


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895