Federação dos Policiais Rodoviários fala em até 200 vidas preservadas ao ano com uso de radar
capa

Federação dos Policiais Rodoviários fala em até 200 vidas preservadas ao ano com uso de radar

FenaPRF diz não não ter sido procurada para analisar os estudos criticados pelo presidente Jair Bolsonaro

Por
Samantha Klein

Agente realiza monitoramento de velocidade na Freeway

publicidade

Após a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que irá acabar com os radares móveis em rodovias na próxima semana, a entidade que representa os agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) se manifestou e disse que a suposta "indústria da multa", referida pelo mandatário, não existe. Além disso, com números, ressaltou que a utilização de equipamentos e o reforço presencial na fiscalização têm contribuído para a diminuição dos acidentes graves em rodovias federais. 

Em entrevista ao Direto ao Ponto, da Rádio Guaíba, desta terça-feira, o diretor de comunicação da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF), Rafael Casotti, disse que o uso adequado do radar é importante para a redução de óbitos e feridos em decorrência de acidentes nas estradas federais. Conforme dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em 2017, houve diminuição de feridos e mortos por conta da utilização do equipamento, em especial, em feriados. A redução foi de 3,5% e 2,7%, respectivamente, em relação ao ano anterior. "Estamos falando em quase 200 vidas preservadas e isso é resultado também do uso do radar. Defendemos que qualquer mudança seja precedida de estudos técnicos".

De acordo com balanço divulgado em janeiro, a superintendência regional da PRF registrou queda de 20% no número de mortes em acidentes de trânsito em 2018 na comparação com 2017. Houve 249 acidentes graves com 314 óbitos nas estradas federais gaúchas. Já no ano anterior, foram registrados 323 acidentes graves e 390 vítimas fatais. Na época, a PRF atribuiu o resultado ao maior rigor na fiscalização. No Estado, são usados 22 radares móveis. 

A Federação, conforme Casotti, não foi procurada para analisar os estudos criticados pelo presidente Bolsonaro. "Não acreditamos que a exclusão total será uma medida que vai diminuir o número de acidentes nas estradas, ao contrário", ressaltou. 

De acordo com Bolsonaro, a ideia é eliminar a fiscalização móvel já na próxima semana. Com isso, para evitar uma disparada dos casos de motoristas trafegando em velocidade acima do permitido, segundo Casotti, seria necessário a substituição dos radares pela presença de efetivo da PRF, o que é inviável, considerando inclusive o fechamento recente de postos da corporação.

No Rio Grande do Sul, por falta de efetivo, sete postos da corporação foram fechados em 2015. São 730 agentes para realizar o monitoramento de 6,1 mil km de malha federal. Seriam necessários, pelo menos mais 350 policiais rodoviários. 

No Brasil, há 10 mil agentes da PRF para cuidar de 72 mil km de rodovias federais. "Para cuidar dessas vias sem equipamento, somente com efetivo e esse é justamente o nosso gargalo. Hoje, não sei como seria feita essa compensação".

Em março, o governo ainda informou que as lombadas eletrônicas serão desativadas, paulatinamente, de acordo com a finalização de contratos. "Via de regra, todo equipamento instalado é precedido de estudos técnicos, portanto, a simples retirada não é solução. Eventual reanálise de localização poderia ocorrer, mas a retirada não é bom para a defesa da vida humana". 

O chefe de Estado ainda reiterou a intenção de acabar com a exclusividade dos Detrans no momento de fazer o exame de saúde, que atesta se o motorista está apto ou não para dirigir. Ele disse que sem o uso do simulador e sem realização de exame de saúde, a obtenção da Carteira Nacional de Habilitaçãoficará mais barata.

Suspensão e acordo 

Em abril, Bolsonaro decidiu suspender um contrato para instalação de radares em rodovias federais. O ato afetou um acordo que envolvia o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que previa a instalação de 8.015 radares em cinco anos.

No final de julho, um acerto entre o Ministério da Infraestrutura e o Ministério Público Federal determinou a instalação de, aproximadamente, 1.140 radares em rodovias federais de todo o país. No Rio Grande do Sul, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) projetou instalar 245 equipamentos. Do total, são 192 lombadas eletrônicas e 53 controladores, os pardais.