O presidente da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), José Paulo Dornelles Cairoli, criticou, nesta terça-feira, a posição de deputados que aceitaram pressões para alterar o projeto de reajuste de servidores da Brigada Militar. Para ele, interesses de grupos têm prioridade, em detrimento das mudanças necessárias para o Estado.
O presidente propôs, durante apresentação do balanço do ano da entidade que em 2010 sejam discutidos, inclusive na classe política, assuntos como o fim das incorporações salariais e vencimentos acima do teto no Ministério Público e Tribunal de Contas gaúcho. Ele criticou também o uso político desse debate. “Para termos clareza nas posições não podemos ter vinculação partidária”, disse. Cairoli foi sucessor de Paulo Afonso Feijó, atual vice-governador do Estado, na direção da entidade.
Ele também criticou as despesas do Ministério Público com pessoal. De 2000 a 2008, o gasto do Executivo cresceu 94%, enquanto que o do MP, 207%. Os gastos com pessoal no Rio Grande do Sul tem crescido R$ 1 bilhão ao ano, conforme dados apresentados pela Federasul.
Outro indicador discutido foi o que mostrou a estagnação na arrecadação de ICMS no Rio Grande do Sul. O lado positivo destacado foi a redução, em R$ 1,6 bilhão, do valor destinado ao pagamento da dívida do Estado.
De acordo com a Federasul, nos últimos 15 anos não houve redução na diferença entre maiores e maiores salários no Estado. O exemplo apresentado foi de integrantes do Judiciário, que ganham, há uma década e meia, 25 vezes mais do que um policial militar.
A apresentação também lembrou que a crise internacional foi a maior desde os anos 30, e que o Brasil tem a 3ª maior taxa de juros real do mundo e o Rio Grande do Sul é o 23º no País em desempenho de vendas no comércio.
Federasul critica postura de deputados na questão sobre reajuste de brigadianos
Manifestação ocorreu durante a apresentação do balanço de 2009 da entidade