O pequeno Antônnio, de 3 anos, entrou no canil na Unidade de Medicina Veterinária (UMV) na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, com os olhos atentos e meio acanhado, num misto de curiosidade e desconfiança. Porém, a pitada de receio não durou muito tempo e em poucos minutos ele já estivesse fazendo carinho num filhote de cachorro, que parecia mais uma bola de pelos preto. Foi assim que o Antônio ganhou neste sábado o presente de Natal antecipado.
Mas engana-se quem pensa que o bichano era visto como um produto. A intenção dos pais era oportunizar ao filho o contato com um animal de estimação. “Assim eles vão crescer juntos e ele também saberá a importância de se cuidar dos animais”, comentou a mãe, Anna Paula Ávila. Segundo o pai João, a vontade de adotar um cachorrinho era antigo, mas esperavam o momento certo. “Sabemos do compromisso e queríamos que ele escolhesse para também desenvolver o sentimento de responsabilidade”, comentou ele.
O pequeno filhote foi escolhido na última feira de adoções deste ano do programa “Me adota?”, promovido pela Secretaria Especial dos Direitos Animais (Seda), de Porto Alegre. Segundo a médica-veterinária da Secretaria, Joice Peruzzi, as feiras buscam estimular a adoção consciente. Ela recordou que infelizmente nem sempre os donos compreendem a importância e as responsabilidades que assumem ao adotar um animal de estimação.
As feiras também servem para amenizar a população que vive no canil da UMV, localizada na estrada Bérico José Bernardes, na Lomba do Pinheiro. Em média são mantidos cerca de 120 animais, sendo a maioria cães. Porém, com o período de férias, há um aumento no número de bichanos que são abandonas e redução nas adoções, o que resulta no aumento dos hóspedes no canil, que atualmente tem quase 200. “Por exemplo, esse filhote tem três meses e foi abandonado junto com outro há poucos dias. Que bom que conseguimos lar para os dois”, comemorou Joice.
No espaço, os animais são cuidados e recebem toda a assistência necessária, como alimentação e cuidados médicos. A maioria foi recolhida em situação de rua e, assim, alguns são mais velhos e também têm sequelas, como dificuldade em andar ou cegueira.
Na Unidade os animais recebem ainda todas as vacinas, são castrados e microchipados (que permite a identificação). Além disso, aqueles que foram adotados têm atendimento vitalício pela secretaria, como consultas e vacinas.
Feira é chance para adotar animais de estimação
Menino de três anos ganhou presente de Natal antecipado