Hoje, a emergência do Hospital Conceição amanheceu com 153 pacientes que disputam 50 leitos. Em outras ocasiões de superlotação, as direções dos hospitais da Capital solicitavam que as pessoas procurassem as Unidades Básicas de Saúde, porque muitos pacientes estariam nas emergências sem necessidade.
Pereira, no entanto, diz que isso não é verdade. “Se a população não vai às emergências, ela fica sem atendimento. Esses 153 pacientes estão lá porque já passaram por consulta e foi constatado que precisam de internação, mas, como não há leitos, ficam na emergência mesmo”, revela.
A previsão da Secretaria Municipal da Saúde é de que haja novos leitos em Porto Alegre em 2013. Néio Pereira, no entanto, não irá esperar tanto assim. Em 2012, ele espera que já esteja concluída uma obra no prédio do Hospital Conceição, para a instalação de mais 110 leitos de internação. O problema, segundo ele, é que o Sistema Único de Saúde (SUS) não se adequou à nova realidade do Estado. “Hoje, o Rio Grande do Sul tem mais idosos, mas a saúde pública não acompanhou esse aumento. As crianças não morrem mais de diarreia. O Hospital Fêmina, que é materno-infantil, é o quarto local do Estado com maior internação por câncer, porque as mulheres estão envelhecendo”, reitera.
Hoje, 60% das pessoas que estão internadas na emergência do Conceição tem mais de 60 anos. A maioria delas com complicações em decorrência de câncer em estágio terminal. Segundo Pereira, a demora na realização das biópsias faz com que o tratamento da doença seja iniciado mais tarde, o que deteriora mais rápido a saúde dos pacientes e sobrecarrega as emergências.
No Hospital São Lucas da PUC, a emergência tem 33 internados para 15 leitos. No Hospital de Clínicas, há 128 pacientes em um espaço onde caberiam apenas 49.