O delegado afirmou que o repórter "Paulão", um dos mortos na colisão, era querido por todos e convivia com os policiais havia muitos anos. O diretor do Deic revelou que na cabine do caminhão foram encontrados dois comprimidos usados como estimulantes, conhecidos como "rebites". No entanto, o caminhoneiro fez o teste do bafômetro que não indicou álcool no sangue. Ele foi detido por agentes do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM).
O comboio, que se dirigia para operação na Serra, era formado por 30 carros, tanto da Polícia Civil quanto da imprensa, e liderado por três viaturas, das quais duas foram atingidas. O escrivão da Polícia Civil, Tomé Moreira, estava no terceiro veículo e conseguiu desviar, ficando entre um barranco e a estrada, quando viu a carreta invadir a pista contrária.
Ele revela que informações preliminares dão conta de que o caminhoneiro João José de Araújo havia saído de São José do Rio Preto (SP) à noite, depois dormido em Santa Catarina, antes de seguir viagem para o Rio Grande do Sul. O objetivo era chegar à região Metropolitana, onde entregaria a carga de laranjas.
A cerca de um quilômetro da colisão, o motorista teria perdido os freios e tentava evitar um acidente. Na "Curva da Morte", porém, ele conseguiu desviar de um carro que trafegava na frente, mas invadiu a pista contrária no sentido Capital-Serra, colidindo frontalmente contra o automóvel da TV Bandeirantes e envolvendo outros veículos no engavetamento.
O escrivão, que saiu ileso, conta que tentou prestar socorro imediatamente às vítimas, mas que não foi possível ajudar. "É muito triste ver pessoas presas às ferragens, agonizando e não poder fazer nada", disse.
Coube à polícia isolar o trânsito no local, que é de intensa circulação e foi interrompido em ambos os sentidos. A Polícia Civil, os bombeiros, a Brigada Militar e a perícia utilizaram uma motosserra para remover os corpos das ferragens.
Moreira conta que, no momento do acidente, apesar do horário, a visibilidade era boa e não havia serração na área. O trecho é sinalizado com cruzes, marcando a ocorrência de mortes em acidentes. Mais de 20 pessoas já teriam perdido a vida no local apenas este ano, a maioria em atropelamentos. A vistoria do caminhão estaria em dia, mas apesar disso a polícia avalia indiciar o condutor por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar.