A liminar judicial que obriga a Prefeitura de Porto Alegre a bancar a diferença entre a atual e a nova tarifa de ônibus foi considerada surrealista pelo prefeito José Fortunati. Ele afirmou em entrevista à Rádio Guaíba, nesta terça-feira, que o processo de licitação do transporte público foi transparente e lamentou o fato de ter que tirar dinheiro da saúde e da educação para bancar empresários.
"Nós estamos diante de uma decisão surrealista. Nós realizamos uma licitação transparente, discutimos com todas as regiões Orçamento Participativo em mais de 20 reuniões, publicamos o edital e ninguém contestou. O poder judiciário ratificou a licitação após a constestação de uma empresa. Assinamos o contrato e, para a nossa surpresa, um dos itens fundamentais do acordo, a tarifa, foi derrubada na Justiça com a alegação de que o Comtu não foi ouvido", relatou Fortunati.
Ao ser questionado sobre o parecer do Conselho Municipal de Transporte Urbano (Comtu), Fortunati disse que durante o processo de licitação houve uma consulta ao órgão. "Não houve erro. Não existe planilha na primeira tarifa. Quando existe, ela deve ser submetida ao Comtu. O que nós fizemos foi uma consulta. Não houve equívoco na postura da prefeitura. Agora as empresas entraram na Justiça e ontem foi reconhecido que o contrato da licitação tem validade. Ora, se tem validade, tem que ser cumprido. Se tem que ser cumprido, a passagem tem que ser R$ 3,75, mas o preço permaneceu o mesmo, de R$ 3,25", argumentou. "É uma situação surreal. Estamos numa situação de perplexidade absoluta", acrescentou.
Fortunati explicou que a Prefeitura ainda não teve tempo para fazer o cálculo do prejuízo que está sofrendo com a liminar. "Nós fomos surpreendidos pela decisão e não sabemos ainda o tamanho do estrago. É bom lembrar que, desde a redução da tarifa, nós estamos bancando essa diferença junto a Carris. Assim que soubermos o valor, nós vamos divulgar", garantiu.
EPTC estima rombo de R$ 10 milhões
O presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, adiantou para o Correio do Povo, nesta terça-feira, uma estimativa do rombo para os cofres públicos: “A Via Leste tem 2,2 milhões de passageiros pagantes por mês. O sistema todo, tem uma média de 20 milhões de pagantes por mês". Se o cálculo de Cappellari estiver correto, a Prefeitura desembolsará pelo menos R$ 10 milhões mensais para cobrir a diferença de tarifa.
Fortunati critica decisão da Justiça que obriga Prefeitura a pagar reajuste
Para prefeito de Porto Alegre, situação do transporte público é surreal