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Foz quer abandonar turismo de sacoleiro

Mudança de estratégia abre leque de novos interesses para visitantes

Parque Nacional do Iguaçu exibe 275 cataratas
Parque Nacional do Iguaçu exibe 275 cataratas Foto : Hygino Vasconcellos / Especial / CP
 De um lado do rio, o Paraguai; de outro, a Argentina. Do lado de cá, o Brasil. Posição estratégica que por muitos anos atraiu para Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, milhares de pessoas, conhecidas por sacoleiros. Eles emprestaram uma fama à cidade, a qual hoje o município tenta se desligar. Há sete anos, as autoridades passaram a desenvolver projetos para oferecer uma nova cara a Foz do Iguaçu. A intenção é fazer surgir um novo tipo de turismo, não apenas ligado às compras do outro lado da fronteira, mas que leve o visitante a conhecer, de fato, a região. E essa mudança de rumos já começou a dar resultados. Hoje, a cidade é a terceira no país que mais recebe eventos internacionais. Só perde para São Paulo e Rio. E a visitação ao Parque Nacional do Iguaçu cresce ano a ano. Só em 2014, mais de 1,5 milhão pessoas – de 172 países diferentes – visitaram o local.

A área do Parque abriga a maior queda d’água em volume do mundo, as Cataratas do Iguaçu. São 275 criadas a partir de deslocamento de terra que abriu uma enorme fenda entre as rochas. Pela lenda indígena, o desfiladeiro foi feito pelo deus M’Boy em vingança ao amor de Naipi com o jovem guerreiro Tarobá. Independentemente de como foi formado o fenômeno da natureza, o visitante tem a garantia de uma paisagem deslumbrante.

Quem chega ao Parque Nacional, pelo lado brasileiro, fica impressionado com a infraestrutura. Parte da área foi concedida à iniciativa privada no final da década de 90. Com isso, ficou proibida a entrada com veículos particulares. O transporte interno é feito por 18 ônibus – cinco deles híbridos. Do pórtico, os grupos são levados ao início da trilha, de 1,2 mil metros de extensão. No final dela é possível chegar bem perto das cataratas. Ali se tem acesso a um caminho suspenso sobre águas.

Quer adrenalina? Aposte no Macuco Safari, um passeio de barco que leva o turista a um banho de cachoeira. O percurso de 25 minutos é antecedido por uma trilha guiada em meio à floresta. E é ali que ele descobre que toda a área do parque era de propriedade de um uruguaio, o que surpreendeu o inventor Santos Dumont. “Estas terras não podem pertencer a um particular”, disse no começo do século XX. Ele acabou conseguindo convencer o governador da época a criar em 1916, por decreto, um povoamento e um parque.

Apesar da proximidade, não há um caminho por entre as cataratas que ligue os lados argentino e brasileiro. Em Puerto Iguazú, na Argentina, o acesso às cataratas é feito de duas maneiras: por trilha de chão batido ou por trem. Na segunda opção, o visitante, ao chegar à estação Garganta do Diabo, caminha poucos metros até encontrar a trilha, toda suspensa sobre a água, em uma estrutura de ferro. O trajeto tem 2,2 mil metros de extensão, que é completado em 2 horas com belas imagens.

É o maior viveiro de araras do mundo

O Parque das Aves, com 16 hectares, é mais uma atração de Foz do Iguaçu. Fundado em 1994, o local é considerado o maior viveiro de araras do mundo, com 160 aves da espécie. Para conhecer o parque, o visitante precisa percorrer uma trilha de 1,4 mil metros e cada passo é uma surpresa. Já no começo do percurso o turista se encanta com o guará, de penas avermelhadas. Próximo dele, fica a arara-vermelha-grande. O animal pode chegar a 50 anos, mas é a descrição da espécie que arranca risadas dos turistas. “O macho neste recinto é muito ciumento. Quando o filhote cresce e sai do ninho, ele não deixa mais a mãe cuidar. Ele é que fica responsável pelo filhote.” No espaço reservado aos flamingos, o visitante se questiona pela quantidade de espelhos. Para que servem? “Eles não se reproduzem em grupos pequenos, por isso foram colocados os espelhos, para dobrar a quantidade de aves”, diz o guia.

Talvez um dos mais impressionantes viveiros seja o Pantanal, tomado por tucanos e araras. Ao percorrer o caminho suspenso, é de impressionar a proximidade que a ave chega dos turistas. “Ele é bem exibido mesmo”, explica outro guia. A ave até mesmo faz pose para tirar foto. As cores amarela e preto do tucano contrastam com o vermelho dos guarás que, de comportamento mais reservado, ficam em galhos mais altos.

Chama a atenção também o gavião-real ou harpia, que pode viver até 80 anos. O animal é considerado a mais poderosa ave de rapina do mundo. Em relação aos filhotes há uma peculiaridade. “Alguns dias após o nascimento, para evitar disputa por alimento, o filhote mais forte mata o mais fraco.” O engraçado é que cada ave pode “trabalhar” até 20 minutos por turno, mas tem horário reservado para alimentação. Uma das araras-canindés é a Maggie, que nasceu no local há seis anos.

No final do caminho, o visitante se depara com um viveiro de borboletas e, poucos metros à frente, pode tirar foto ao lado de uma arara-canindé ou de uma jiboia, ambas domesticadas

Itaipu inclui tour de barco no lago

A mudança de rumos de Foz do Iguaçu também chegou à hidrelétrica Itaipu Binacional. A área do complexo também se voltou ao turismo. Além do tour pelas instalações, é possível fazer um passeio em barco no lago artificial da represa da hidrelétrica. A viagem é em torno de 1 hora e custa R$ 60,00.

Mas que tal encarar uma boa dose de adrenalina e saltar de paraquedas? O corajoso cai em queda livre, a 16 mil pés, em apenas um minuto. O valor do salto duplo é de R$ 590,00. O presidente do Fundo Iguaçu, Gilmar Piolla, explica que a intenção é atrair cada vez mais eventos esportivos e atrações turísticas para a área de Itaipu.